Mais de dois milhões de carros podem estar expostos a ataques através de Bluetooth devido a uma falha de segurança num dispositivo instalado por concessionários. No limite, um atacante poderá impedir o veículo de arrancar, destrancar as portas ou controlar alguns dos seus sistemas.
Segundo o Notícias ao Minuto, a vulnerabilidade foi identificada por investigadores da Universidade da Califórnia em San Diego e afeta um equipamento antirroubo conhecido como KARR-SWDS, controlado através de uma aplicação para telemóvel.
O dispositivo terá sido instalado por vários concessionários do sul da Califórnia em automóveis comercializados ao longo dos últimos nove anos, embora algumas das viaturas possam entretanto ter sido vendidas ou exportadas para outros países.
Carros de cinco marcas podem ter este dispositivo
Entre os veículos potencialmente afetados estão automóveis das marcas Ford, Honda, Jeep, Mazda e Toyota adquiridos nos concessionários que utilizavam este sistema.
Os investigadores estimam que existam cerca de 2,2 milhões de carros com o equipamento, mas alertam que muitos dos atuais proprietários poderão desconhecer a sua existência.
Existe ainda uma base de dados de acesso público com informações relativas aos automóveis que receberam o dispositivo, o que poderá agravar o risco associado à vulnerabilidade.
Ataque pode ser feito a poucos metros do carro
Através de uma ligação Bluetooth, a aplicação permite controlar o sistema a uma distância aproximada de 4,6 metros.
Entre as funções disponíveis estão o bloqueio da ignição, que impede o automóvel de arrancar, o trancamento e destrancamento das portas e o controlo da buzina e dos faróis.
Caso um atacante consiga explorar a falha, poderá utilizar estas funções sem autorização e transformar o veículo numa espécie de “carro zombie”, retirando parte do controlo ao condutor.
Todos os dispositivos utilizavam a mesma chave
O principal problema identificado pelos investigadores está no facto de todos os equipamentos KARR-SWDS utilizarem a mesma chave de segurança.
Desta forma, caso essa chave seja descoberta ou comprometida, todos os veículos equipados com o dispositivo poderão ficar vulneráveis ao mesmo tipo de ataque.
Alterar a chave ou simplesmente desligar o Bluetooth não será suficiente para eliminar o risco, uma vez que o equipamento permanece instalado e ativo, mesmo quando o proprietário deixa de pagar a subscrição do serviço.
Esta etiqueta pode revelar se o carro está afetado
Os veículos que receberam este equipamento poderão apresentar uma etiqueta com a indicação KARR-SWDS junto à janela do condutor.
O dispositivo propriamente dito encontra-se normalmente instalado sob o painel de instrumentos e não é fácil de retirar, uma vez que está ligado aos computadores e ao sistema de ignição do automóvel.
Segundo um dos autores do estudo, a remoção exige a abertura do painel, o corte de fios e a posterior reconstrução das ligações, pelo que o procedimento deverá ser realizado por um profissional.
Fabricante já lançou atualização
A empresa responsável pelo equipamento lançou uma atualização de segurança no dia 20 de julho para corrigir a vulnerabilidade identificada.
Contudo, os proprietários têm de descarregar uma aplicação para instalar a correção, o que poderá deixar muitos automóveis desprotegidos durante mais tempo.
Os investigadores alertam que grande parte dos condutores poderá nem saber que tem este dispositivo instalado, tornando importante verificar a presença da etiqueta, contactar o concessionário e confirmar se a atualização já foi aplicada.
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