Quantas vezes não tivemos medo de dizer o que sentimos?
Quantas vezes não `mordemos´ a língua antes de dar a nossa opinião?
O medo ao ridículo, à rejeição e ao julgamento. O receio de ser motivo de gargalhada generalizada…
E perante isto: Calamos. Guardamos. `Engolimos´… e fazemos de conta que está tudo bem.
Com certeza que já muitas vezes vos aconteceu isso.
Em definitiva, nesses momentos, estamos a travar-nos, a limitar-nos, a aprisionar-nos, a não respeitar a nossa vontade, nem fazer caso daquilo que a nossa essência interior deseja.
Calar, guardar., omitir, segurar, conter, fazer de conta que não foi nada demais, quando em realidade uma situação nos marcou profundamente, são formas de defesa que temos, no entanto, com o passar do tempo pode criar cicatrizes, feridas, traumas mal resolvidos.
Como seres humanos que somos, estamos sempre sujeitos a interações com os outros e com o meio envolvente e, nem sempre a vida corre como imaginávamos. Conseguir dar a volta a situações menos boas é fundamental para a resolução dessas mesmas situações e das emoções que se lhe associam. E porque isto é importante? Precisamente para manter-nos mais conectados a nossa verdade e por conseguinte, mais saudáveis e equilibrados.
Gerir as emoções, agir sem reagir, viver mais em equilíbrio e relacionar-nos com os outros e connosco com gentileza, compaixão e empatia, ajuda a ir quebrando as ações impulsivas e densas que, muitas vezes ganham espaço num corpo e numa mente esgotados, cansados e estressados que só se mantém em pé por pura sobrevivência.
Valorizar-nos, amar-nos, respeitar-nos, gostarmos de nós, cuidar do nosso corpo, da nossa saúde e do nosso mundo interior é fulcral no nosso bem-estar geral, o que por conseguinte, refletir-se-a no nosso comportamento, atitude e forma de lidar com a vida e com o dia a dia.
Dedicar tempo a conhecer-nos cada vez mais conscientemente para perceber e integrar todas as nuances da nossa historia pessoal – tenha situações felizes ou traumáticas- é um ato de coragem e de vontade de transformação e mudança. Essa mudança que muitas vezes procuramos fora. Nos outros. Mas que em realidade está e começa por dentro.
Atuar de coração aberto, seguindo a nossa verdade, baseando-nos nos nossos valores e princípios, onde o amor, o carinho, a bondade, a empatia e também o auto-respeito e o amor-próprio reinem é um ato de amor por nós e pelos outros.
Estarmos bem connosco permite estar bem com os outros e com o que nos rodeia, criando um ambiente e uma fluidez de energia muito mais positiva para todos.
Estarmos bem connosco permite, também, ajudar com maior disponibilidade aos nossos que amamos.
Abrir o coração ao nosso sentir mais profundo e atuar respeitando-o fará de nós alguém mais seguro, mais confiante e amoroso proporcionando o equilíbrio necessário para as vicissitudes que a vida humana naturalmente tem, sem sermos arrogantes, nem convencidos de superioridade. Simplesmente sendo quem somos. Nem mais, nem menos.
Fazer um trabalho de auto-conhecimento permite-nos sermos livres no sentido mais amplo e mais universal da palavra. E acredito que essa sensação de liberdade que vem de dentro, da alma, é muito mais expansiva e `contagiante´ do que qualquer outra.
Viver em liberdade não é estar fora de grades, é estar ciente das nossas ‘questões’ internas, olhar para elas, trabalhá-las e integra-las como sendo parte daquilo que somos hoje e agora, na humildade que somos o que somos, com defeitos e virtudes e que olhamos para todas elas com carinho e em paz, porque fazem parte de quem somos.
Porém, não somos somente isso. Somos muito mais e quando integramos e compreendemos isso, em paz, em amor, então somos livres. Livres das nossas próprias amarras. Estas ultimas, para mim, são as mais importantes de soltar para podermos realmente sermos livres…
Livres, inteiros, coerentes e plenos desde dentro, porque isso vê-se, sente-se e vive-se por fora.
Gratidão.
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