Incrível.
Acabo por ver uma atriz em pleno desiquilíbrio emocional na internet.
Já não é a primeira vítima.
Há muitas mais e não consigo achar piada alguma.
O Programa não só não tem piada como quem acha piada devia pensar um pouco.
Ouvimos então o programa.
João Marquise: Já repararam que há quem faça carreira a dizer que combate o bullying… recorrendo ao bullying com boa produção de áudio? Parece aqueles putos que fazem bullying no liceu. Há o bully que aproveita-se das fraquezas dos outros para sustentar a sua fama. Há as marionetas atrás a rir desalmadamente para reforçar o bullying. E depois o público, que procuram aquele bullying para esquecer o mau que é a sua vida. Basta ouvir algo a gozar do mais fora do normal que injectam a sua dose diária de pseudo-satisfação.
Se alguém gosta deste tipo de programas, só está mal na vida. Que achas Abel Golutão? Já agora deixa-me dizer que estás gordo. É da menopausa?
<<Risos de gozo todos juntos>>
Abel Golutão: Nada disso. Gordura é formosura, e sou equilibrada pois sei rir da fragilidade dos outros. Ahahah. Pois é quase uma fábrica sabes? Entra um vídeo de 30 segundos, sai um julgamento de 15 minutos. Que achas oh Ivo? Tu que tens fama por causa da tua família, duvido que sejas um exemplo para os teus mais novos.
<<Risos de gozo todos juntos só porque sim>>
Ivo Isidro: Nada disso. Eu lutei para estar a trabalhar para o Estado. Já de criança sabia lutar para ter um doce que não merecia aos meus pais.
Falando no julgamento. O curioso é que a piada raramente é brilhante. O segredo é outro: repetir, repetir e repetir até o público achar que rir é obrigatório.
João Marquise: E depois chamam-lhe humor inteligente. Inteligente era escrever piadas que sobrevivessem sem precisar de um alvo para ridicularizar.
Olha por exemplo olha para a minha mulher gorda e alta. Passa a vida na rádio a tentar fazer o mesmo e coitada. É uma frustrada e invejosa. Nem imaginas a minha família lá em casa.
<<Riso porque é giro atacar pessoas mesmo que seja a mulher>>
Abel Golutão:
Deixa-me dizer.
O teu formato é simples: escolhe-se alguém, amplifica-se o embaraço e espera-se que as redes sociais façam o resto.
<<Riso>>
Ivo Isidro: Há uma diferença entre sátira e linchamento social. A primeira faz pensar; o segundo vive de aplausos fáceis.
Mas quem é que ouve isto? Pessoas frustradas disseste tu. Pois num dia de porcaria no trânsito, com salário e condições da treta, ouvir alguém a linchar os outros é a única safa. Quanto mais infeliz são os portugueses melhor.
<<Risos>>
João Marquise: O mais irónico é vender empatia enquanto se transforma o erro de alguém num produto diário. Dose diária de droga de contentamento por não ser tão ignorante é tao bom.
Como no Liceu. Quem se ria dos bullies eram os frustrados da vida. E no fim ainda pagam para outros serem linchados
em praça pública. Pois rádio não é stand up comedy. É comunicação em massa.
<<Desde que entra até posso falar de alegadamente multinacionais no meio que exploram os trabalhadores. Risos>>
Abel Golutão: Se um dia acabassem as figuras públicas para gozar, ficava a grande questão: será que ainda havia programa?
Ivo Isidro: Talvez fosse o episódio mais extremamente desagradável de todos… porque, pela primeira vez, teriam de fazer humor sem um alvo para servir de saco de pancada.
E no fim…. a injecção de contentamento se ia e a piada perdia-se.
João Marquise: Não piada sem atacar ninguém é?
Ivo Isidro: Eu separo a arte do artista. Tu fazes muita piada boa sem atacar és ninguém. Dúvido é que estejas disposta a ganhar menos dinheiro. Mais vais 2 notas na mão a fazer alguém quase se suicidar que 1 a voar.
Tu fazes boa piada e tens arte. Mas como pessoa és ridícula porque consegues viver à custa da infelicidade alheia.
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