Encontrar trabalhadores é apenas uma parte do problema para David Ariza. O empresário espanhol explica que formar um funcionário pode demorar vários meses e que muitos acabam por abandonar a restauração pouco tempo depois.
Três meses para formar um trabalhador e, poucos meses depois, ter de começar novamente à procura de alguém. É uma realidade que David Ariza diz enfrentar na restauração e que ajuda a explicar as dificuldades de alguns empresários em manter equipas estáveis no setor.
David é proprietário do Rice & Bones, um estabelecimento em Alicante, Espanha, e conhece de perto os desafios de gerir um negócio de restauração numa área onde a rotatividade de trabalhadores e dos próprios estabelecimentos é elevada.
Em declarações divulgadas pelo El Español, o empresário chama a atenção sobretudo para um problema: não basta contratar. É necessário ensinar, integrar e conseguir manter os funcionários durante tempo suficiente para que esse investimento tenha retorno.
“Demoras entre dois e três meses a formar uma pessoa”
A aprendizagem de um novo trabalhador não acontece de um dia para o outro. Segundo David, podem ser necessários entre dois e três meses para que alguém esteja devidamente preparado para desempenhar as funções.
“Demoras entre dois e três meses a formar uma pessoa”, explica o empresário.
Esse período implica acompanhamento por parte dos restantes elementos da equipa e adaptação à forma de trabalhar do estabelecimento. O problema surge quando, depois desse esforço, o funcionário decide abandonar o emprego pouco tempo depois.
David aponta para situações em que, ao fim de cerca de nove meses, o trabalhador já está de saída, obrigando o negócio a repetir todo o processo.
Aos nove meses pode ser preciso começar novamente
A elevada rotatividade torna-se particularmente difícil num setor em que a experiência adquirida dentro de cada estabelecimento pode fazer diferença no funcionamento diário.
Para um empresário, perder alguém que já conhece os procedimentos significa não apenas procurar um substituto, mas voltar a investir tempo na respetiva formação.
É precisamente essa diferença entre contratar e conseguir reter trabalhadores que David coloca no centro do problema.
A restauração espanhola tem enfrentado dificuldades no recrutamento e retenção de profissionais, uma situação que se torna ainda mais visível em zonas com elevada concentração de bares e restaurantes.
Poucos restaurantes chegam aos cinco anos
O próprio local onde funciona o Rice & Bones ajuda a perceber a pressão existente sobre estes negócios.
Segundo a informação divulgada pelo El Español, o estabelecimento encontra-se numa zona de Alicante onde poucos restaurantes conseguem ultrapassar os cinco anos mantendo o mesmo nome e a mesma atividade.
David conhece bem essa instabilidade e considera que manter uma equipa é uma das peças essenciais para conseguir dar continuidade ao negócio.
Cada saída obriga a reorganizar horários, procurar candidatos e dedicar novamente várias semanas ou meses à aprendizagem de quem chega.
Manter trabalhadores tornou-se um dos desafios
A dificuldade relatada pelo empresário não se resume, portanto, à existência ou não de candidatos para uma vaga.
Mesmo quando consegue encontrar alguém, começa um processo que pode prolongar-se durante meses até que o novo funcionário esteja completamente integrado na equipa.
Se essa pessoa abandonar o estabelecimento pouco depois, parte desse investimento perde-se e o ciclo recomeça.
No caso descrito por David Ariza, o contraste é simples: pode levar até três meses a formar um funcionário, mas ao fim de nove meses muitos já estão de saída.
Uma realidade que, segundo o proprietário do Rice & Bones, torna a estabilidade das equipas num dos principais desafios para quem tenta manter um restaurante aberto durante vários anos.















