Vila Real de Santo António foi construída segundo um plano urbano definido de raiz, com ruas regulares, quarteirões geométricos e uma praça central que organiza os principais edifícios públicos. De acordo com o portal Património Cultural, a localidade nasceu por ordem do Marquês de Pombal, depois de a aldeia de pescadores de Santo António de Arenilha ter ficado quase destruída.
A obra começou em 1773 e pretendia criar no extremo oriental do Algarve um novo polo económico, ligado à produção nacional e à atividade piscatória.
Cidade desenhada a partir de um quadrado
O traçado urbano assenta numa matriz geométrica. O quadrado serviu de base à definição da malha da nova vila (agora cidade), composta por quarteirões retangulares regulares e por dois eixos que se cruzam, concentrando os espaços e edifícios mais relevantes.
A opção aproxima Vila Real de Santo António da reconstrução pombalina de Lisboa, embora numa escala diferente. Segundo a mesma fonte, a organização da cidade tem pontos de contacto com a Baixa lisboeta, mas distingue-se pela disposição dos espaços, pelos materiais utilizados e pela dimensão do conjunto.
Praça Real no centro do plano
O centro do projeto é a Praça Real, delimitada nos quatro vértices por torreões. Foi concebida como espaço de circulação e de encontro, reunindo o mercado, as casas de comércio, a Câmara Municipal, a Casa da Guarda e a igreja.
No centro da praça ergue-se o obelisco dedicado a D. José I. A mesma fonte refere que o monumento foi colocado solenemente em 1776, ano em que a vila ficou concluída, e funciona como elemento comemorativo da fundação promovida pelo monarca e pelo seu ministro.
Igreja marcada pelo rigor geométrico
A Igreja Matriz, dedicada a Nossa Senhora da Encarnação, resultou de um segundo projeto, depois de a primeira proposta ter sido abandonada. O edifício aproxima-se mais da linguagem neoclássica do que do barroco, com uma fachada organizada em dois registos.
No interior, a nave única de planta retangular articula-se com a capela-mor quadrangular. Há corredores laterais que conduzem a dependências de apoio, enquanto o retábulo-mor ocupa toda a parede da capela-mor. O desenho do templo acompanha a preocupação geométrica presente no restante traçado urbano.
Alfândega voltada para Espanha
A Alfândega foi implantada na frente ribeirinha, orientada para o território espanhol. A sua localização não foi casual: o edifício representava a presença da nova ordem pombalina junto ao Guadiana e concentrava funções ligadas ao comércio e ao controlo das atividades económicas.
O portal Património Cultural explica que as sociedades industriais da região se encontravam ao longo da praia, reforçando a importância da Alfândega no funcionamento da vila. A cidade foi, por isso, pensada não apenas como residência ou centro administrativo, mas como instrumento de uma política económica para o Algarve.
Arquitetos ligados à reconstrução de Lisboa
A execução do plano foi entregue aos arquitetos da Casa do Risco das Obras Públicas, dirigida por Reinaldo Manuel dos Santos. Formado em Mafra, o responsável já estava ligado ao projeto de reconstrução da Baixa de Lisboa e ao Aqueduto das Águas Livres.
O resultado adotou uma linguagem estética de raiz seiscentista, descrita como estilo chão, num programa urbano associado ao Absolutismo e ao Iluminismo português. A malha regular, a Praça Real, a igreja, a Alfândega e o obelisco continuam a revelar a lógica com que Vila Real de Santo António foi concebida no século XVIII.
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