Quando se fazem contas à reforma, a preocupação costuma passar pelo dinheiro que vai entrar todos os meses e pelos anos de trabalho que ainda faltam. Mas há outra questão: quanto tempo se poderá viver depois de atingir a idade de acesso à pensão? As estimativas mostram diferenças de vários anos entre países e entre homens e mulheres.
Portugal fica acima da média da União Europeia (UE) nos dois géneros, segundo uma análise da Euronews Business, publicada hoje, dia 18 de setembro. A comparação utiliza dados de 2024 do Eurostat e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).
Homens portugueses têm mais 19,3 anos pela frente
Para os homens em Portugal, a análise aponta para 19,3 anos de vida após a idade da reforma considerada no cálculo. O resultado supera em 0,9 anos a média da UE , fixada em 18,4 anos.
A idade de referência utilizada para Portugal é de 65,3 anos. Para quem chega a essa idade, a estimativa aponta para uma vida que se prolonga, em média, até aos 84,6 anos. Trata-se de um cálculo estatístico, não de uma previsão individual.
Mulheres portuguesas podem esperar mais 22,6 anos
Entre as mulheres, o período estimado sobe para 22,6 anos, também acima dos 21,8 anos da média comunitária. Partindo da mesma idade de referência, a análise aponta para uma idade esperada de morte de 87,9 anos.
A diferença entre mulheres e homens em Portugal é, assim, de 3,3 anos. No conjunto da UE, a distância é ligeiramente superior: as mulheres podem esperar viver mais 3,4 anos depois da idade da reforma do que os homens.
Os 65,3 anos exigem uma leitura cuidada
A idade usada nesta comparação não deve ser confundida com a idade normal de acesso à pensão atualmente em vigor em Portugal. Os cálculos assentam nos dados e nas referências de 2024 utilizados pela análise internacional.
Em 2026, a idade normal de acesso à pensão de velhice do regime geral é de 66 anos e 9 meses, conforme estabelece a Portaria n.º 358/2024/1. Os resultados apresentados não significam, portanto, que qualquer trabalhador português possa reformar-se aos 65,3 anos.
Luxemburgo destaca-se dentro da UE
Entre os homens, o Luxemburgo apresenta o período mais longo na UE, com 22 anos. Seguem-se valores como os 21 anos da Grécia e os 20,7 anos registados em França e na Eslovénia, segundo a mesma análise.
Considerando todos os países analisados, a Turquia destaca-se com 27,3 anos para os homens e 34,5 para as mulheres, num cálculo influenciado por idades de reforma mais baixas. No extremo oposto, os homens na Bulgária e na Hungria apresentam 14,7 anos; entre as mulheres, a Hungria regista 18,6 anos.
Saída do trabalho pode acontecer noutra altura
A idade de acesso à reforma e o momento em que se deixa efetivamente de trabalhar são indicadores diferentes. Há pessoas que abandonam o mercado de trabalho antes dessa referência e pensionistas que continuam a exercer uma atividade profissional.
Na UE, a idade de reforma considerada para os homens é de 64,7 anos, enquanto a saída efetiva do mercado de trabalho ocorre, em média, aos 63,8. Entre as mulheres, os valores são, respetivamente, de 64 e 62,9 anos, refere a Euronews Business.
Números não garantem período de pensão
A comparação cruza a idade de reforma com a esperança de vida nessa altura. Por isso, os valores apresentados estimam os anos que uma pessoa poderá ainda viver depois de chegar à idade utilizada no cálculo.
Receber uma pensão durante esse período pressupõe cumprir os restantes requisitos de acesso, incluindo os contributivos.
A análise também não permite determinar quantos desses anos serão vividos com boa saúde, nem o rendimento disponível para os aproveitar.
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