Quantas vezes não teremos chorado pela falta de um abraço daquele ente querido que já não está?
Quantas vezes não sentimos a melancolia e a saudade de um abraço de um amigo que está longe?
Um abraço… apenas um abraço. Faz tanto bem. Enche a alma de alegria e eleva o coração.
Quanta história pode existir num gesto tão simples como abraçar alguém…
Quanto sentimento e emoção pode guardar esse momento em que o abraço acontece…
Num abraço sentimos o colo, o refúgio, o aconchego de ser para ser… é um instante em que o mundo quase pára e só conta esse momento, essa força entre braços que se abrem para dar espaço ao outro.
Através de um abraço acendem-se lembranças, pensamentos e sensações.
É um gesto de ligação, de afeto, de respeito, de carinho, de amizade, de amor.
Através de um abraço, sentimo-nos parte de algo maior, onde relaxamos, soltamos e desfrutamos dessa conexão com o outro…
Abraçar facilita a disponibilidade para soltar. Soltar o peso, a carga, as saudades…
Mas também soltar a alegria, a vontade de estar presente, de validar o que estamos a sentir.
Já repararam que, de vez em quando, surge aquele pensamento/necessidade de… “agora fazia-me falta um abraço!”? Como se isso reconfortasse, arranjasse ou suprisse o que falta.
E, de facto, um abraço pode colmatar muita coisa… pode — momentaneamente — preencher um vazio e dar lugar a essa sensação em que parece que tudo se arruma no lugar certo, permitindo que o que parecia estar perdido, oco ou sem sentido ganhe um novo significado, uma outra vitalidade e energia.
Abraçar conforta corações e almas, num instante quase mágico em que tudo desaparece e só fica esse gesto, onde duas pessoas se ligam num laço invisível de afeto e carinho intemporal, dando espaço à verdade e aos sentimentos de cada um, onde se acolhem mutuamente, e onde chorar não fica mal, nem rir é demasiado barulhento.
Se fizermos um exercício de relembrar momentos da nossa vida em que nos sentimos bem, de certeza que o abraço estará em alguma dessas memórias…
Talvez, no nosso dia a dia, devêssemos lembrar-nos mais desses momentos e utilizá-los como motores do nosso bem-estar e da nossa capacidade de sermos felizes…
Por isso, acredito que, no meio de tanto rebuliço quotidiano, permitir-nos parar para reforçar memórias positivas, momentos únicos, e trazer para nós todas essas sensações boas, é uma forma de nos amarmos e cuidarmos mais. E o abraço é uma excelente ferramenta que nos ajuda nesse bem-estar, nessa sensação de completude…
Então, por que não…? Talvez…
Abraçar mais!
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