Portugal continua a ser um dos destinos preferidos dos turistas britânicos, mas quem visita o país está a ser aconselhado a ter atenção à compra de azulejos antigos vendidos na rua, em feiras ou em lojas sem informação clara sobre a origem das peças. O alerta surge devido ao roubo de azulejos em edifícios antigos, que depois podem ser vendidos como artigos “vintage” ou recuperados.
Os azulejos são uma das marcas mais reconhecidas do património português e fazem parte da identidade visual de igrejas, palácios, estações ferroviárias, fachadas de casas e edifícios históricos. Muitos turistas procuram estas peças como recordação, mas especialistas e residentes alertam que nem todos os azulejos à venda têm proveniência legal.
Segundo relatos divulgados por criadores de conteúdo residentes em Portugal, citados pelo portal britânico Express, existe um mercado paralelo alimentado pelo furto de azulejos retirados de edifícios abandonados, imóveis em obras ou até habitações ocupadas. As peças são depois vendidas em mercados, zonas turísticas, plataformas online e, em alguns casos, enviadas para o estrangeiro.
Azulejos são património, não simples lembranças
Conhecidos pela cor, detalhe e valor artístico, os azulejos portugueses têm mais de cinco séculos de história e estão presentes em diferentes regiões do país. Para além da função decorativa, contam histórias ligadas à religião, à arquitetura, à vida quotidiana e à evolução urbana de várias cidades.
O problema é que a procura turística por peças antigas tornou estes elementos mais apetecíveis para redes de furto e revenda. Um azulejo retirado de uma fachada não é apenas um objeto isolado: faz parte de um conjunto arquitetónico e, quando desaparece, deixa uma marca visível no edifício e empobrece o património local.
Por isso, a compra de azulejos sem origem comprovada pode contribuir, mesmo sem intenção, para a destruição de património histórico. Muitos compradores acreditam estar a adquirir uma peça recuperada de forma legítima, mas nem sempre fazem perguntas sobre a proveniência ou exigem documentação.
Como funciona o mercado ilegal
De acordo com os alertas partilhados, os ladrões tendem a procurar edifícios antigos, imóveis devolutos ou fachadas em reabilitação, onde os azulejos podem ser removidos com menor vigilância. Em alguns casos, são usadas ferramentas próprias para retirar as peças com cuidado, evitando que se partam e aumentando o seu valor de revenda.
Depois de retirados, os azulejos podem surgir à venda como peças “antigas”, “recuperadas” ou “vintage”. A aparência envelhecida, que para o turista pode parecer sinal de autenticidade, é precisamente um dos fatores que aumenta o risco de se tratar de património furtado.
A falta de perguntas sobre a origem das peças facilita este negócio. Se o vendedor não consegue explicar de onde vieram os azulejos, não apresenta fatura, certificado ou informação clara sobre a proveniência, o comprador deve desconfiar.
O que devem fazer os turistas
Quem quiser comprar azulejos em Portugal deve privilegiar lojas de artesãos, oficinas de cerâmica, museus, lojas especializadas e espaços que vendam peças novas ou reproduções devidamente identificadas. Comprar diretamente a artistas locais é uma forma mais segura de levar uma recordação autêntica sem alimentar o mercado ilegal.
Antes de comprar uma peça antiga, é aconselhável perguntar a origem, pedir comprovativo de venda e perceber se se trata de uma reprodução, de um azulejo novo ou de uma peça recuperada de forma legal. Se o vendedor evitar responder, não emitir recibo ou apresentar a peça de forma vaga, o melhor é não comprar.
Este cuidado é especialmente importante em zonas turísticas onde há maior circulação de visitantes e maior facilidade em vender objetos sem grande controlo. A regra é simples: se parece demasiado antigo, raro ou barato e não há explicação convincente sobre a origem, o risco é maior.
Património português em risco
Os azulejos portugueses têm valor cultural e histórico, mas também económico, o que os torna vulneráveis ao furto. A retirada ilegal destas peças afeta a imagem das cidades, prejudica proprietários e dificulta a preservação de edifícios antigos.
Nos últimos anos, várias entidades ligadas ao património têm alertado para a necessidade de maior proteção, registo e sensibilização. O problema não está apenas em quem rouba, mas também em quem compra sem questionar a origem.
Para os turistas, o conselho é claro: levar uma recordação de Portugal não deve significar retirar uma parte da história do país. A melhor alternativa passa por apoiar ceramistas e lojas responsáveis, escolhendo peças novas, reproduções autorizadas ou produtos com proveniência comprovada.
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