Na próxima quarta-feira, 12 de agosto, Portugal poderá observar um eclipse total do Sol pela primeira vez em 114 anos. A totalidade, contudo, ficará limitada a uma pequena área do Parque Natural de Montesinho, no concelho de Bragança, onde a Lua esconderá completamente o disco solar durante cerca de 26 segundos.
No restante território nacional, o eclipse será parcial, embora muito próximo da totalidade em várias regiões. A percentagem de ocultação deverá variar entre 92% e 99% em Portugal continental e entre 74% e 77% nos Açores e na Madeira. O fenómeno começará perto das 18h30, atingirá o ponto máximo por volta das 19h30 e terminará aproximadamente às 20h30.
Só uma pequena zona de Bragança verá o eclipse total
A faixa de totalidade atravessará uma área reduzida do Parque Natural de Montesinho, junto à fronteira com Espanha. Na zona oficial de observação, próxima de Rio de Onor e Guadramil, o eclipse parcial começará às 18h33, enquanto a totalidade deverá decorrer entre as 19h30m17s e as 19h30m42s. O fenómeno terminará às 20h23.
Durante esses 25,6 segundos, o disco solar ficará completamente ocultado pela Lua. Poderão então tornar-se visíveis a coroa solar, o chamado «anel de diamante» e as Pérolas de Baily, pequenos pontos luminosos provocados pela passagem da luz solar através das irregularidades existentes na superfície lunar.
O acesso à zona preparada no Parque Natural de Montesinho será restrito e controlado, estando as inscrições encerradas. Quem não conseguiu garantir lugar poderá dirigir-se ao Aeródromo de Bragança, onde está prevista uma sessão de observação do eclipse parcial com uma ocultação de 99,8% do Sol.
Eclipse será parcial no restante país
Fora da estreita faixa de totalidade, uma parte do Sol continuará sempre visível. Ainda assim, a ocultação será suficientemente elevada para provocar uma alteração clara da luminosidade, sobretudo nas regiões do Norte e Centro mais próximas de Bragança.
Nas zonas onde o eclipse será mais profundo poderá sentir-se uma descida da temperatura do ar, enquanto as sombras se tornarão mais definidas e a luz ganhará um tom diferente. O comportamento de alguns animais também poderá mudar temporariamente devido à diminuição repentina da luminosidade.
À medida que se avança para sul, a percentagem de ocultação será progressivamente menor. Mesmo no Algarve, porém, mais de 90% do disco solar deverá ficar escondido pela Lua. Nos arquipélagos, a cobertura será inferior, situando-se entre 74% e 77%.
Algarve terá várias sessões de observação
Observatórios, autarquias, associações e centros Ciência Viva estão a organizar sessões em diferentes pontos do país, com acompanhamento especializado, telescópios equipados com filtros solares e distribuição de óculos próprios para observar o eclipse.
No Algarve estão previstas iniciativas na Barragem da Bravura, em Lagos, e em vários locais de Tavira. O Centro Ciência Viva de Tavira promoverá observações na cidade, na Praia do Arraial e na Praia do Barril, em Santa Luzia. As atividades começam às 18h30 e, nos casos indicados pela organização, não exigem inscrição prévia.
Também estão anunciadas ações em localidades como Vila do Conde, Lisboa, Constância, Estremoz, Seia e Arruda dos Vinhos. A realização das observações dependerá, contudo, das condições meteorológicas e da existência de um horizonte desimpedido a oeste, uma vez que o Sol estará baixo ao final da tarde.
Óculos de sol comuns não protegem a visão
A observação direta do Sol só deve ser feita com óculos próprios para eclipses e devidamente certificados. Os óculos de sol comuns, mesmo quando têm lentes muito escuras, não oferecem proteção suficiente contra a radiação solar.
Também não devem ser usados vidros fumados, radiografias, películas, negativos fotográficos ou outros materiais improvisados. Binóculos, telescópios e câmaras necessitam de filtros solares específicos colocados na parte frontal do equipamento; apontá-los diretamente para o Sol sem proteção pode provocar lesões oculares e danificar os dispositivos.
Os óculos devem ser colocados antes de olhar para o céu e retirados apenas depois de desviar o olhar. Qualquer par que apresente riscos, furos, vincos ou sinais de degradação não deve ser utilizado.
Fenómeno não era visto desde 1912
Um eclipse total acontece quando a Terra, a Lua e o Sol ficam alinhados de tal forma que a Lua cobre completamente o disco solar. A sombra lunar percorre então uma faixa relativamente estreita da superfície terrestre, razão pela qual a totalidade só pode ser observada em áreas específicas.
O eclipse de 12 de agosto será também visível numa faixa que atravessa o Ártico, a Gronelândia, a Islândia e Espanha. Em território português, a última ocasião em que um eclipse total pôde ser observado ocorreu em 1912. Depois deste ano, o próximo fenómeno semelhante no país está previsto apenas para 2144.
Produção de energia solar deverá cair temporariamente
A passagem da sombra lunar provocará igualmente uma redução momentânea da produção fotovoltaica na Península Ibérica. O efeito deverá ser limitado porque o eclipse acontecerá ao final da tarde, quando a geração solar já está naturalmente em queda e não coincide com o período habitual de maior procura elétrica.
Os operadores do sistema deverão reforçar as margens de segurança e acompanhar a evolução da produção durante o fenómeno. A diminuição será temporária e não são esperadas alterações significativas no fornecimento de eletricidade aos consumidores.
Para quem pretenda acompanhar o eclipse, a preparação passa sobretudo por escolher um local com vista desimpedida para oeste e garantir antecipadamente proteção ocular certificada. A visibilidade final dependerá do estado do céu na tarde de 12 de agosto.
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