Portugal prepara-se para observar, na próxima quarta-feira, 12 de agosto, um dos fenómenos astronómicos mais marcantes das últimas décadas. O eclipse do Sol será visível em todo o território nacional, mas apenas uma pequena área do Parque Natural de Montesinho, no concelho de Bragança, ficará dentro da faixa de totalidade.
Na zona de Rio de Onor, o Sol deverá ficar completamente ocultado durante cerca de 26 segundos. No restante território continental, o eclipse será parcial, embora a Lua cubra entre 92% e 99% do disco solar. Nos Açores e na Madeira, a ocultação deverá situar-se entre 74% e 77%, segundo a plataforma oficial Eclipse 2026, coordenada pela Ciência Viva.
Eclipse atingirá o ponto máximo perto das 19:30
O fenómeno decorrerá ao final da tarde, com ligeiras diferenças nos horários consoante a localização. Na zona de totalidade, a observação começará pelas 18:33 e terminará perto das 20:23, estando o momento máximo previsto para cerca das 19:30.
Será nessa altura que, numa área muito restrita do nordeste transmontano, a Lua ocultará completamente o disco solar. Durante alguns segundos, a luz diminuirá de forma acentuada e ficará visível a coroa solar, a camada mais exterior da atmosfera do Sol.
No resto do país, uma pequena parte do disco solar permanecerá sempre visível. Ainda assim, a elevada percentagem de ocultação prevista para Portugal continental permitirá acompanhar uma alteração significativa da luminosidade. No Algarve, o eclipse será parcial, mas mais de 90% do Sol deverá ficar coberto.
O último eclipse total do Sol observável a partir de Portugal ocorreu em 1912. Depois do fenómeno deste ano, a próxima oportunidade semelhante no território nacional está prevista apenas para 2144.
Escolha um local com horizonte desimpedido para oeste
Como o eclipse acontecerá ao final da tarde, o Sol estará relativamente baixo. A Ciência Viva recomenda a escolha de um local com boa visibilidade na direção oeste, sem prédios, árvores, montanhas ou outros obstáculos que possam esconder o fenómeno.
A deslocação deve ser planeada com antecedência, sobretudo para quem pretenda assistir à totalidade no Parque Natural de Montesinho. O acesso à zona oficial de observação em Rio de Onor será restrito e controlado, estando as inscrições para essa atividade já encerradas.
Existem, contudo, ações públicas de observação em vários pontos do país. No Algarve estão previstas iniciativas gratuitas em locais como Tavira, a Praia do Barril, a Praia do Arraial e a Barragem da Bravura, algumas sem necessidade de inscrição. Os participantes poderão acompanhar o fenómeno com apoio de equipas e equipamentos preparados para a observação solar.
Óculos de sol comuns não oferecem proteção
Observar diretamente o Sol sem proteção adequada pode provocar lesões irreversíveis na visão. O risco mantém-se durante um eclipse parcial, mesmo quando apenas uma pequena parte do disco solar permanece descoberta.
Os óculos utilizados devem ser próprios para a observação de eclipses e apresentar os elementos de certificação exigidos. Antes da utilização, é necessário confirmar que não têm riscos, furos, vincos ou outros sinais de degradação. A Ciência Viva recomenda ainda a verificação da marca CE, da referência ao Regulamento europeu 2016/425, da identificação do fabricante e do número de lote.
Óculos de sol comuns, radiografias, vidro fumado, películas escuras ou outros materiais improvisados não devem ser usados. Binóculos, telescópios e câmaras também necessitam de filtros solares próprios, instalados corretamente no equipamento.
Uma alternativa segura consiste em observar o eclipse de forma indireta, projetando a imagem do Sol numa superfície através de uma pequena abertura. Este método pode ser usado, por exemplo, com uma caixa de cartão preparada como câmara escura.
Ainda é possível tentar reservar óculos gratuitos
A distribuição gratuita de óculos certificados está a ser feita através de mais de 600 óticas da rede Club da Visão. Cada pessoa pode selecionar uma ótica aderente, preencher o registo e reservar um par para levantamento.
As páginas oficiais continuam a apresentar a possibilidade de reserva, embora a oferta esteja limitada ao stock disponível em cada estabelecimento. Não existe, nas fontes oficiais consultadas, confirmação de que os óculos tenham esgotado em todo o país.
Quem não encontrar disponibilidade poderá procurar óculos certificados em óticas, lojas especializadas ou alguns pontos de venda. Vários centros Ciência Viva também anunciaram a distribuição de equipamento durante as sessões públicas, mas as condições variam consoante cada iniciativa.
Com uma semana de antecedência, os principais preparativos passam por garantir a proteção ocular, escolher um local com o horizonte desimpedido e confirmar os horários previstos para a respetiva região. No próprio dia, a nebulosidade será o último fator a determinar a qualidade da observação.
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