Já estão abertas as reservas de óculos gratuitos e certificados para observar em segurança o eclipse solar de 12 de agosto. A iniciativa permite escolher uma ótica aderente, fazer um registo individual e levantar o equipamento antes do fenómeno, estando a oferta limitada ao stock existente.
A distribuição decorre através da rede Club da Visão, que reúne mais de 600 óticas em todo o país. Cada pessoa pode reservar um par, devendo selecionar no portal o estabelecimento onde pretende fazer o levantamento. A Ciência Viva indica que o stock foi reforçado, mas recomenda que a inscrição seja feita com antecedência.
Como reservar os óculos gratuitos?
O processo é feito através do site do Club da Visão. Depois de entrar na área dedicada ao eclipse, o utilizador deve selecionar uma ótica aderente, preencher os dados pedidos e concluir a reserva. O levantamento será posteriormente realizado no estabelecimento escolhido.
A oferta está limitada a um par por pessoa e depende da disponibilidade de cada ótica. Por esse motivo, a existência de pontos de levantamento em todo o país não garante que haja óculos disponíveis até ao dia do eclipse.
Quem não conseguir assegurar um par gratuito poderá comprar óculos próprios para observação solar em farmácias, supermercados ou lojas especializadas. Antes da compra, deve verificar se apresentam a norma ISO 12312-2, a marcação CE e a referência ao Regulamento europeu relativo aos equipamentos de proteção individual.
Olhar diretamente para o Sol pode causar lesões permanentes
Os óculos de sol comuns, películas escuras, radiografias, vidros fumados ou outros materiais improvisados não protegem os olhos durante um eclipse. A radiação solar continua a chegar à retina, mesmo quando grande parte do disco do Sol está tapada pela Lua.
Segundo o alerta divulgado pela Ciência Viva, observar o fenómeno sem proteção adequada pode provocar queimaduras na retina, alterações temporárias da visão ou, nos casos mais graves, perda permanente da capacidade visual. O perigo é maior porque a lesão pode ocorrer sem provocar dor imediata.
Os óculos certificados devem ser colocados antes de olhar para o Sol e retirados apenas depois de desviar o olhar. Quem utilizar binóculos ou telescópios necessita de filtros solares próprios instalados na parte frontal do equipamento; os óculos de eclipse, por si só, não tornam segura a observação através de instrumentos óticos.
Telemóveis e câmaras também podem ficar danificados
A Ciência Viva desaconselha ainda a utilização direta de telemóveis ou câmaras para gravar o eclipse sem filtros apropriados. A exposição da lente e do sensor à luz solar intensa pode danificar o equipamento, sobretudo quando existe ampliação ótica ou quando a câmara permanece apontada ao Sol durante algum tempo.
Quem pretenda fotografar o fenómeno deve usar filtros solares concebidos especificamente para câmaras e seguir as instruções do fabricante. Apontar o dispositivo diretamente para o Sol e observar a imagem através do ecrã também não elimina todos os riscos associados ao equipamento.
Eclipse será total numa pequena zona de Bragança
O eclipse será visível em todo o território nacional, mas não da mesma forma. A totalidade deverá ocorrer apenas numa área reduzida do Parque Natural de Montesinho, no distrito de Bragança. No restante território continental, a ocultação do Sol deverá variar entre 92% e 99%, enquanto nos Açores e na Madeira ficará entre 74% e 77%.
Na maior parte do país, o fenómeno decorrerá ao fim da tarde. Em Constância, por exemplo, está previsto começar pelas 18:37 e terminar perto das 20h29, embora os horários apresentem pequenas diferenças consoante a localização.
A rede Ciência Viva terá também várias atividades gratuitas de observação, incluindo iniciativas no Algarve. Estão previstas sessões em locais como Tavira, a Praia do Barril, a Praia do Arraial e a Barragem da Bravura, com distribuição de óculos ou utilização de outros métodos seguros de observação.
O último eclipse total do Sol observado em Portugal ocorreu em 1912. Depois do fenómeno de 12 de agosto de 2026, o próximo com estas características no território português está previsto apenas para 2144.
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