A construção da creche Salta-Pocinhas, na freguesia da Conceição, em Faro, entrou na fase final, mas a Associação de Proteção à Rapariga e à Família (AIPAR) precisa ainda de angariar 580 mil euros para concluir o edifício e abrir o equipamento no ano letivo de 2026/2027.
De acordo com a instituição, o edifício cumpre já os requisitos exigidos para funcionar como creche e a conclusão da obra está prevista para breve, dependendo, contudo, do apoio financeiro de empresas e particulares.

A Salta-Pocinhas terá capacidade para acolher 42 crianças até aos três anos, distribuídas entre o berçário e a creche. Será, segundo a AIPAR, a primeira resposta deste género no Algarve com horário alargado, incluindo o período noturno e os fins de semana.
Resposta dirigida a famílias que trabalham por turnos
O modelo de funcionamento foi pensado para responder às necessidades das famílias cujos horários profissionais não são compatíveis com os períodos habitualmente praticados pelas creches.
Entre os potenciais beneficiários encontram-se trabalhadores por turnos do Centro Hospitalar Universitário do Algarve, do Aeroporto de Faro e do setor hoteleiro, que, segundo a associação, não dispõem atualmente de uma alternativa adequada.
A AIPAR considera que o horário alargado permitirá também que as crianças permaneçam mais tempo com as respetivas famílias, uma vez que os períodos de permanência na creche poderão ser ajustados aos horários de trabalho dos pais.
A instituição recorda ainda que a freguesia da Conceição não dispõe de qualquer creche, pelo que o novo equipamento deverá colmatar uma necessidade identificada naquele território.
A Salta-Pocinhas será abrangida pelo programa Creche Feliz, permitindo o acesso gratuito às vagas, e contará com um projeto educativo baseado no contacto com a natureza, num espaço que a associação pretende tornar seguro e estimulante.
Associação alerta para relação entre pobreza e falta de vagas
A AIPAR sustenta que a escassez de respostas para a primeira infância pode contribuir para perpetuar situações de pobreza, ao limitar a possibilidade de os pais exercerem uma atividade profissional.
A instituição refere dados do relatório Portugal, Balanço Social 2025, segundo os quais 17,6% das crianças em Portugal vivem em risco de pobreza. O mesmo documento indica que quase uma em cada cinco crianças pobres em idade pré-escolar frequenta menos de 30 horas semanais de ensino ou creche.
No Algarve, acrescenta a associação, mais de 13% das crianças vivem em situação de pobreza.
Filomena Rosa, presidente da Direção da AIPAR, defende que “o combate à pobreza começa na oferta de respostas educativas e sociais às crianças e às suas famílias. Não podemos permitir que haja crianças em situação de pobreza por não terem acesso à educação desde a infância. O que queremos oferecer é uma infância plena, numa creche feliz”.
Investimento ascende a 1,88 milhões de euros
O investimento total na creche ascende a 1,88 milhões de euros e foi adjudicado através de concurso público. O Município de Faro contribuiu com 800 mil euros e cedeu o terreno destinado à construção.
A AIPAR conseguiu já angariar 500 mil euros junto de mecenas, através de contributos que variaram entre pequenas quantias e donativos de 40 mil euros. Permanecem, contudo, por financiar 580 mil euros.
Caso não consiga reunir o valor em falta, a associação admite ter de recorrer a um empréstimo bancário, solução que, segundo a instituição, poderá comprometer outros projetos de apoio a crianças e famílias.
A AIPAR apela, por isso, ao envolvimento de empresas e particulares. Os donativos empresariais são considerados custos do exercício em 150% do respetivo valor, ao abrigo do Estatuto dos Benefícios Fiscais aplicável ao mecenato social.
Os particulares podem beneficiar de uma dedução à coleta de IRS correspondente a 25% do valor doado. É também possível consignar 1% do IRS à instituição, sem custos para o contribuinte, através da indicação do NIF 501 650 296 na declaração anual.
Os donativos podem ser realizados através do IBAN PT50 0010 0000 6107 5010 001 98, sendo emitido pela AIPAR o respetivo recibo.
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