Os profissionais da saúde no Algarve cumprem esta sexta-feira um dia de greve, numa ação convocada para exigir melhores condições laborais, reforço dos recursos humanos e a defesa do Serviço Nacional de Saúde (SNS).
Guadalupe Simões, do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), acusa a Unidade Local de Saúde (ULS) do Algarve de continuar a recorrer à contratação de profissionais através de planos de contingência, em vez de reforçar os vínculos por tempo indeterminado. Segundo a dirigente sindical, faltam na região cerca de 500 assistentes operacionais, 1.500 enfermeiros generalistas, mais de 500 enfermeiros especialistas e aproximadamente 500 técnicos de diagnóstico.
O SEP critica também a ausência de concursos de acesso às carreiras, situação que, segundo Guadalupe Simões, está a “estagnando a possibilidade de desenvolvimento profissional dos enfermeiros”. O sindicato manifesta ainda preocupação com a possibilidade de alguns serviços da ULS do Algarve virem a ser entregues à gestão privada.
A representante sindical receia igualmente que o aumento da despesa com a defesa, para responder às metas internacionais assumidas no âmbito da Organização do Tratado do Atlântico Norte, possa ter reflexos no financiamento da saúde, através de “cativado dinheiro que é necessário no âmbito do SNS [Serviço Nacional de Saúde]”.
Sindicatos alertam para falta de profissionais e risco de privatização
“Por um lado, porque o Hospital do Central do Algarve continua a não ver a luz do dia, depois foi propagandeada a construção do Centro Oncológico de Referência do Sul, que foi assumido por parte da Ministra da Saúde, há duas semanas atrás, que afinal já não iria ser construído e as valências que estavam previstas para aquele centro oncológico seriam inseridas dentro do novo hospital”, exemplificou.
A possível transferência de serviços públicos para o setor privado ou social, através da Misericórdias, “significa que o Governo, relativamente à região do Algarve, continua num caminho de dilapidação” para mais facilmente entregar a gestão aos privados, sem que se demonstre a eficiência da medida.
Rosa Franco, do Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Sul e Regiões Autónomas (STFPSSRA/CGTP-IN), disse que faltam Técnicos Auxiliares de Saúde (TAS) e criticou a administração da ULS do Algarve por “continuar a contratar assistentes operacionais para desempenhar funções de TAS”.
A representante sindical quantificou em 500 o número de trabalhadores desta categoria profissional em falta na região e lamentou que a ULS do Algarve apenas abra vagas para assistentes operacionais, nos “poucos concursos” que lança.
Greve integra jornada regional de luta
Profissionais a fazer 16 horas consecutivas de trabalho são uma realidade e a ação de luta de hoje é necessária para garantir um Serviço Nacional de Saúde “público, acessível e de qualidade” e uma “política de recursos humanos que valorize todos os profissionais de saúde e garanta os cuidados seguros, humanizados e universais” às populações, defendeu.
A greve insere-se numa ação de luta regional convocada para hoje pela União de Sindicatos do Algarve para exigir melhores condições de trabalho, numa região onde são reportados benefícios económicos pelas empresas, mas a precarização laboral e baixos salários são “o dia-a-dia dos trabalhadores” nos setores do turismo, comércio e serviços.
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