“Como saio desta situação?”
“Desta não estava à espera?”
“Agora, o que faço?”
Nalgum momento das nossas vidas estas perguntas, certamente, pairaram na nossa mente pois há momentos de incertezas, de acontecimentos inesperados, de situações que nos deixam sem saber o que fazer… E a vida é mesmo assim… com essa impermanência…
No entanto, estamos nós, agentes responsáveis da nossa vida, que temos livre arbítrio e que podemos escolher entre ficar numa posição mais passiva ou mais ativa. E esta ultima é importante, porque até podemos `ir-nos abaixo´ mas o indispensável é atuar para sair do fundo da espiral.
Então o problema não é cair! O problema é não levantar-se!
Quando se nos apresenta um problema, um desafio, uma situação difícil, podemos não saber como resolvê-la, mas importa estar cientes -acreditar- que podemos fazê-lo, mesmo que tenhamos de pedir ajuda para o fazer.
Reerguer-se, levantar-se, reinventar-se é possível e é muito melhor que simplesmente `cair´ e estagnar.
A força de acreditar que podemos, que conseguimos nos ‘alimenta’, nos dá fôlego e nos motiva a continuar. Porquê? Porque acreditamos que conseguimos e isso faz-nos seguir em frente.
Podemos viver momentos duros ou que nos desestabilizam, no entanto, continuar a acreditar em nós mesmos, nas nossas forças, nas nossas capacidades, nos nossos conhecimentos e na nossa habilidade para nos posicionar desde um outro ponto de ação são características que nos vão a ajudar a mantermo-nos no caminho para voltarmos a tentar.
Tentar continuar enfrente pensando no que foi e no que não foi, no que deveria ter sido e também não foi, não permite flexibilidade, nem movimento para a frente. Somente nos fixa no `tentar´ e pode prender-nos num rodopio de incessante contraste entre o querer avançar e não conseguir fazê-lo.
Então para conseguir esse movimento é necessário largar o que pesa, o que ainda nos retém nas artimanhas da rigidez mental, emocional e permitirmo-nos dar passos que nos tirem dessa estagnação.
Insistir. Persistir. Acreditar. Ser resilientes, flexíveis e aceitar esses altos e baixos que as vezes acontecem e que nos tiram o chão porque – quer queiramos ou não – eles fazem parte da jornada. Depende de nós como olhamos para esse altos e baixos e como lidamos com eles.
Se lidamos desde a frustração, o medo, a raiva, a tristeza, a vitimização, a arrogância… ou se lidamos com eles, desde a aceitação, a pacificação, a assertividade e a humildade de quem quer aprender para depois, noutra ocasião, lidar ainda melhor com esse fluxo continuo e ‘inquieto’ que a vida é.
Criar disponibilidade para a mudança de padrões e condições mentais e emocionais internas que fomentem a nossa flexibilidade – sobretudo emocional – acredito que abre a possibilidade de alicerçar uma nova perspetiva e uma outra consciência pela qual podemos desfrutar e viver a vida com tudo o que ela traz.
Por outro lado, resistir à mudança, ao que se apresenta como diferente e impermanente é viver rígidos, frustrados e em esforço, criando assim, um contexto – interno e externo – de stress, exigência, insatisfação e desequilíbrio mental, físico, emocional – que dificultam o gerir situações adversas de uma forma assertiva, equilibrada e prospera.
Aí corremos o risco de ‘cair’ e não conseguir levantar-nos, ou então conseguir fazê-lo mas com um desgaste muito maior.
Acreditar em nós. Flexibilizar o nosso pensamento e ações. Ser empáticos(as). Insistir e persistir sem arrogância e com humildade. E ser resilientes em vez de resistentes, poderão ser alguns dos `ingredientes´ fundamentais para viver de forma mais flexível. Mais no fluxo do que contra a maré. Mais em paz e em harmonia do que em esforço e stress.
Todos merecemos viver em leveza e plenamente, percebendo que, as vezes ‘cair’ faz parte do percurso, mas mais importante que saber cair é saber que somos capazes de levantar-nos e fazê-lo.
Gratidão.
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