A pressão nos ouvidos durante um voo é um problema frequente, sobretudo na descolagem e na aterragem, e pode traduzir-se numa sensação de bloqueio, audição abafada ou até dor. O fenómeno tem um nome clínico, barotrauma do ouvido, e surge quando o organismo não consegue ajustar rapidamente a diferença de pressão entre o ouvido médio e o ambiente da cabine.
De acordo com a Women’s Health, revista de lifestyle, existe uma técnica simples que pode ajudar a aliviar este desconforto de forma imediata. Trata-se da chamada manobra de Valsalva, frequentemente utilizada em contexto clínico para equilibrar a pressão no ouvido.
Um gesto simples que pode fazer a diferença
A chamada manobra de Valsalva assenta num princípio básico: forçar suavemente a igualdade de pressão entre o interior do ouvido e o exterior. Na prática, consiste em fechar a boca, tapar o nariz com os dedos e tentar expelir o ar de forma ligeira, sem o deixar sair.
Este pequeno gesto ajuda a abrir a trompa de Eustáquio, o canal que liga o ouvido médio à parte posterior da garganta e que é responsável por regular a pressão interna. Quando este canal não reage com rapidez suficiente às alterações de altitude, surge a sensação de ouvido “entupido”.
Segundo a mesma fonte, o alívio é, muitas vezes, imediato ou surge após algumas repetições. Ainda assim, os especialistas alertam para um ponto essencial: a força aplicada deve ser sempre moderada. Um esforço excessivo pode causar lesões, incluindo danos no tímpano.
Porque acontece esta sensação durante o voo
As alterações rápidas de pressão são mais intensas nas fases de subida e descida do avião. Nesses momentos, a pressão externa varia mais depressa do que a capacidade de adaptação do ouvido humano.
Numa situação normal, a trompa de Eustáquio abre-se de forma automática para compensar essa diferença. No entanto, se estiver parcialmente bloqueada, por exemplo devido a alergias ou congestão, essa regulação torna-se mais difícil. O resultado é uma pressão desigual nos dois lados do tímpano, que pode provocar desconforto ou dor.
Esse desequilíbrio explica também fenómenos como o “estalar” dos ouvidos, que não é mais do que o momento em que a pressão se equaliza subitamente.
Outras estratégias que ajudam a aliviar
Quando a manobra de Valsalva não é suficiente, existem outras abordagens simples que podem ajudar a reduzir o incómodo durante o voo. Muitas passam por estimular o movimento da mandíbula e da garganta, favorecendo a abertura da trompa de Eustáquio.
Entre as mais comuns estão gestos como mastigar pastilha elástica, bocejar ou engolir frequentemente. Estes movimentos ativam os músculos responsáveis por permitir a passagem de ar, facilitando o equilíbrio da pressão no ouvido médio.
Há ainda quem recorra a sprays nasais, especialmente em casos de congestão, para desobstruir as vias respiratórias e melhorar a ventilação do ouvido. Em situações mais persistentes, poderá ser necessária avaliação médica, sobretudo se a dor for intensa ou prolongada.
Atenção aos sinais de alerta
Na maioria dos casos, a pressão nos ouvidos durante o voo é temporária e resolve-se rapidamente após a aterragem. Ainda assim, há sintomas que não devem ser ignorados.
Se a dor persistir, se houver sensação de perda auditiva ou sinais como tonturas e secreção no ouvido, é aconselhável procurar um especialista. Estes indícios podem apontar para uma complicação rara, mas possível, como uma lesão no tímpano.
Segundo a Women’s Health, a prevenção continua a ser a melhor abordagem. Aplicar técnicas simples no momento certo, sobretudo durante a descida, pode ser suficiente para evitar que um incómodo comum se transforme numa experiência dolorosa.















