Há uma praia no Algarve onde, com alguma sorte, é possível observar lontras junto à ribeira ou mesmo no areal durante as horas de menor movimento. Trata-se da Praia da Boca do Rio, na freguesia de Budens, onde três ribeiras se encontram antes de chegar ao mar e dão origem a uma zona húmida conhecida como Paul da Lontreira.
No portal da Freguesia de Budens pode ler-se que as lontras que habitam esta área apresentam ainda uma particularidade pouco comum, uma vez que alguns destes animais também frequentam a zona marinha. Embora sejam difíceis de observar devido ao seu comportamento reservado, as melhores oportunidades surgem de madrugada ou durante o lusco-fusco do entardecer.
Um paul com cerca de 134 hectares
O Paul da Lontreira, também conhecido como Paul de Budens, ocupa aproximadamente 134 hectares e constitui uma zona húmida formada pela presença da Ribeira de Vale Barão, da Ribeira de Vale de Boi e da Ribeira de Budens. É precisamente a existência das lontras que está na origem do nome atribuído ao local.
Segundo a mesma fonte, quem percorre o caminho de terra batida a partir da zona de estacionamento pode encontrar vários sinais da biodiversidade existente. Além das lontras, a área acolhe aves, insetos, répteis e anfíbios, num ecossistema onde os caniçais e outra vegetação associada a ambientes húmidos assumem particular importância.
Garças, cegonhas e outras aves também passam por aqui
Entre as espécies de aves identificadas encontram-se a garça-branca-pequena, a garça-imperial, a cegonha, o pato-real e a fuinha-dos-juncos. Nas zonas com arbustos e árvores podem ainda surgir aves como o peneireiro-vulgar, a toutinegra-de-cabeça-preta, a felosa-ibérica, a pega-azul ou o trigueirão.
A Freguesia de Budens acrescenta que a composição da avifauna se altera ao longo do ano. Durante o inverno pode ser observado o chapim-de-faces-pretas, enquanto no verão aparece o abelharuco. A zona alberga ainda espécies menos comuns no Algarve, entre as quais a felosa-unicolor, também conhecida como cigarrinha-ruiva.
Praia guarda vestígios de diferentes épocas
A riqueza natural não é a única particularidade da Boca do Rio. De acordo com o portal Visit Algarve, nas proximidades permanecem vestígios de uma antiga villa romana, incluindo elementos de frescos e mosaicos, balneários, áreas de armazenamento e estruturas relacionadas com a salga e conservação de peixe.
Existem também duas necrópoles associadas ao antigo complexo, levando a considerar a possibilidade de ali ter funcionado um porto ligado à atividade piscatória. A relação desta zona com a pesca prolongou-se durante séculos e deixou outras marcas na paisagem.
Terramoto de 1755 também deixou vestígios
No século XVIII foi construído na enseada um edifício destinado a apoiar os pescadores ligados à armação de atum que funcionava naquele local. A construção, mandada executar por ordem do Marquês de Pombal, permanece como um dos elementos visíveis da ocupação humana desta área costeira.
Há ainda marcas de um acontecimento ocorrido a muitos quilómetros dali. Estudos geológicos realizados no interior do paul identificaram depósitos sedimentares associados ao grande terramoto de 1755, acrescentando outra dimensão histórica à paisagem que hoje envolve a praia.
Areal não tem vigilância de nadadores-salvadores
A Boca do Rio apresenta cerca de 150 metros de comprimento por 20 metros de largura em praia-mar e é formada por areia branca. Durante o verão, a temperatura média da água ronda os 22 graus, enquanto os ventos predominantes chegam de noroeste e sudeste.
Apesar de a época balnear decorrer entre 1 de junho e 30 de setembro, a praia não dispõe de apoio balnear nem de nadadores-salvadores. A Freguesia de Budens indica, contudo, que a zona é regularmente vigiada pela Autoridade Marítima. Existe estacionamento nas proximidades e um parque de merendas situado num eucaliptal próximo.
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