As novas propostas para o desenho das notas de euro voltaram a chamar a atenção para um detalhe que muitos utilizadores veem há anos, mas nem sempre observam com cuidado: as pontes representadas no verso das notas. Esses desenhos, criados para simbolizar a ligação entre os povos europeus, não se baseavam originalmente em pontes reais.
De acordo com a Euronews, há, no entanto, uma cidade onde é possível visitar versões físicas dessas pontes. Ficam em Spijkenisse, nos Países Baixos, uma localidade próxima de Roterdão que decidiu transformar os desenhos abstratos das notas de euro em estruturas reais, abertas ao público.
Pontes simbolizam comunicação entre povos
Ao contrário das moedas de euro, que têm faces nacionais diferentes consoante o país emissor, as notas são iguais em todos os países da zona euro. Na frente, apresentam janelas ou portais, associados ao espírito europeu de abertura e cooperação. No verso, surgem pontes, pensadas como símbolo de comunicação entre os povos da Europa e entre a Europa e o resto do mundo.
Segundo o Banco Central Europeu, citado pela Euronews, as notas foram desenhadas para representar estilos arquitetónicos de diferentes períodos históricos, e não edifícios ou pontes concretas. Por isso, a nota de 10 euros, por exemplo, remete para o estilo românico, enquanto outras notas evocam períodos diferentes da história da arquitetura europeia.
A ideia original era precisamente evitar a escolha de monumentos nacionais específicos, que poderiam favorecer um país em detrimento de outro. Assim, os desenhos procuravam representar uma identidade europeia comum sem recorrer a locais reais.
Spijkenisse decidiu tornar as pontes realidade
Essa lógica mudou, pelo menos no terreno, quando Spijkenisse decidiu construir versões reais das pontes das notas de euro. A iniciativa partiu do designer neerlandês Robin Stam, que em 2011 teve a ideia de transformar os desenhos em estruturas físicas.
Segundo a Euronews, que cita a Dezeen, o designer trabalhou com o município local para concretizar o projeto num novo empreendimento habitacional. As sete pontes foram construídas entre 2011 e 2013 e ficaram acessíveis ao público.
Todas se encontram a curta distância umas das outras, o que permite visitar, numa única cidade, as versões reais das pontes que aparecem nas notas de euro. A localidade é facilmente acessível através das linhas C e D do metro de Roterdão.
Votação reacendeu curiosidade pelas notas
O tema voltou a ganhar destaque depois de o Banco Central Europeu apresentar as dez propostas pré-selecionadas para a próxima série de notas de euro. A votação pública sobre os novos desenhos levou muitos utilizadores das redes sociais a discutir os finalistas, mas também a olhar de novo para as notas atuais.
A curiosidade em torno das pontes mostra como elementos gráficos aparentemente familiares podem esconder histórias menos conhecidas. No caso das notas de euro, aquilo que começou como uma representação simbólica de estilos arquitetónicos acabou por ganhar forma concreta numa cidade neerlandesa.
Assim, quem passar por Spijkenisse pode encontrar uma espécie de percurso urbano inspirado no dinheiro que circula diariamente por milhões de mãos na Europa. As pontes das notas não nasceram de lugares reais, mas acabaram por se tornar reais nos Países Baixos.
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