Há realidades que só compreendemos verdadeiramente quando as vivenciamos.
E há experiências que, mesmo breves, nos obrigam a olhar para a nossa própria realidade com outros olhos.
Recentemente, numa deslocação das Mulheres Social-Democratas a Bruxelas, tivemos oportunidade de conhecer uma Cidade com importantes infraestruturas e uma forte dimensão internacional, mas onde também nos confrontámos com dificuldades de mobilidade e acessibilidade que nos fizeram refletir.
Para quem se desloca numa cadeira de rodas, aquilo que para muitos é apenas um passeio, uma rua, uma entrada num edifício ou uma passadeira pode transformar-se num obstáculo difícil, ou mesmo impossível, de ultrapassar.
Um passeio inadequado, uma barreira no percurso ou a ausência de uma alternativa acessível podem limitar aquilo que deveria ser um direito básico, a liberdade de circular com autonomia e dignidade.
Esta experiência voltou a demonstrar-nos que a acessibilidade não é apenas uma questão técnica ou urbanística.
É uma questão de direitos, igualdade, autonomia e cidadania.
E esta reflexão deve ser feita em todas as cidades.
Precisamos de deixar de olhar para a acessibilidade como um conjunto de pequenas intervenções isoladas e passar a encará-la como uma verdadeira política municipal transversal.
Porque não basta construir uma rampa, é preciso que seja utilizável.
Não basta existir um passeio, é preciso que permita uma circulação segura.
Não basta haver lugares de estacionamento reservados, é preciso que sejam respeitados e fiscalizados.
E não basta adaptar um edifício se, para lá chegar, os Cidadãos tiverem de enfrentar um percurso inacessível.
E há uma questão que não podemos esquecer, quando eliminamos uma barreira para alguns, melhoramos a Cidade e as Freguesias para todos.
Um passeio acessível é melhor para quem utiliza uma cadeira de rodas, mas também para uma pessoa idosa, para quem empurra um carrinho de bebé ou para quem, temporariamente, enfrenta dificuldades de mobilidade.
Por isso, acessibilidade não é um favor nem uma preocupação de uma minoria.
É uma responsabilidade pública e uma condição de uma Cidade verdadeiramente democrática.
A experiência de Bruxelas mostrou-nos também que nenhuma Cidade é perfeita.
O importante é reconhecer as dificuldades, ouvir quem as vive e ter vontade política para fazer. Podemos e devemos fazer melhor.
Não precisamos de esperar por uma Cidade perfeita.
Precisamos é de uma Câmara Municipal que tenha um plano, defina prioridades e comece a remover as barreiras que ainda impedem muitos Cidadãos de viver plenamente a sua Cidade.
Porque mobilidade não é apenas poder deslocar-se.
É poder participar, trabalhar, estudar, conviver, escolher e viver plenamente a Cidade.
E uma Cidade que é acessível para TODOS é, inevitavelmente, uma Cidade melhor para TODOS.
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