Estávamos em meados do mês de maio quando tive a oportunidade de viajar até Tavira na companhia da minha avó para passarmos um dia. Maio, tal como setembro e outubro, são para mim os meses daquilo a que chamo a “época do meio termo” no Algarve. As praias estão vigiadas por nadadores-salvadores e ainda há espaço para estender a toalha; os restaurantes não estão “ao barrote”, mas também não estão “às moscas”; e até nas horas de maior calor pode-se estar na rua e aproveitar ao máximo todas as horas de luz do dia.

Chegámos a Tavira perto da hora de almoço e havia um barco que saía do centro da cidade rumo à ilha com o mesmo nome dentro de 10 minutos. A minha avó não conhecia a ilha e, portanto, essa teria de ser a primeira paragem daquela que também foi a nossa primeira viagem juntos. Uma vez comprados os bilhetes, entrámos no ferry que partiu pouco depois de nos sentarmos. O trajeto demora cerca de 20 minutos.
Travessia entre Tavira e a ilha dá a conhecer o passado da cidade
Pelo caminho começa-se por observar os barcos que surgem ancorados ao longo das margens do rio Gilão. Na foz, onde as águas do rio se cruzam com as da Ria Formosa, de um lado vê-se o cais das Quatro Águas e, do outro, o famoso hotel Vila Galé Albacora.
Este último não se trata apenas de “mais um” hotel em Tavira. É que o empreendimento turístico resulta da reabilitação do antigo Arraial Ferreira Neto, onde os pescadores viviam durante a época da pesca do atum, que normalmente decorria entre março e setembro. Do barco é possível ter uma visão geral do espaço, mas há também a possibilidade de qualquer um aceder gratuitamente à antiga padaria do arraial, hoje transformada num núcleo museológico. Ali dá para observar uma maquete da complexa obra que era a almadrava, o nome árabe que designa a armação da pesca do atum.

Ilha de Tavira fica em frente ao antigo Arraial Ferreira Neto
Um pouco mais à frente do Vila Galé Albacora fica então a ilha de Tavira. Assim que os passageiros desembarcaram e seguiram em fila pela passadeira que nos leva até à praia, os empregados dos vários restaurantes deram início à desafiante tarefa de tentar convencer os visitantes de que o seu peixe era melhor do que o do restaurante ao lado.
Para este almoço de avó e neto elegemos o restaurante Dinoself, onde as mesas têm vista para as dunas. Para o prato vieram sardinhas, camarão e dourada, numa dose a que o restaurante chama de “Mista de Peixe” e que dá para duas pessoas partilharem. Para sobremesa comemos um gelado e depois do almoço fomos até à Praia da Ilha de Tavira. O tempo não convidou a banhos, mas o sol ajudou a que nos conseguíssemos despedir da ilha com um pequeno passeio à beira-mar.

Uma varanda que foi palco de perguntas e respostas
De regresso a Tavira, o Hotel Princesa do Gilão foi o eleito para a noite passada no Algarve. No hotel que já foi uma fábrica de transformação de farinha ficámos alojados num dos quartos que tinha vista para o Gilão. Foi precisamente na varanda que passámos o resto da tarde, onde o rio, o Mercado da Ribeira e o famoso coreto que foi fabricado na cidade do Porto serviram de cenário para várias horas de conversa.
No tempo que passámos na varanda do Princesa do Gilão tive a oportunidade de perguntar, ouvir e trocar opiniões sobre o passado, o presente e o futuro. É por isso que também concordo quando se diz que o Algarve não é só praia. Quer seja na época alta, baixa ou até na “época do meio termo”, o Algarve pode servir de palco para conversas e momentos que se adiarmos poderão nunca vir a tempo de se realizar. Tavira fortaleceu ainda mais a ligação entre mim e a minha avó. A viagem de barco para a ilha, o peixe à mesa, o passeio à beira mar e a varanda serviram de empurrão. Nós tratámos do resto, como sempre.
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