Em Castro Marim há um produto que depende diretamente do calor, do vento, das marés e do trabalho dos salineiros. A flor de sal forma-se apenas em condições específicas, sobretudo entre julho e setembro, quando uma película muito fina de cristais aparece à superfície da água das salinas e pode ser cuidadosamente recolhida antes de desaparecer.
Segundo o portal do Município de Castro Marim, as salinas ocupam cerca de 30% da Reserva Natural do Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António. Neste território convivem explorações tradicionais, onde o sal continua a ser recolhido manualmente, e unidades de maior dimensão em que parte do trabalho passou a ser feito com máquinas.
Flor de sal só aparece nos dias de maior calor
Ao contrário do sal que se acumula no fundo dos talhos, a flor de sal forma uma camada muito fina à superfície da água. A recolha é feita com um instrumento específico que não toca no fundo, permitindo retirar os cristais que se formam durante os períodos de maior calor.
Segundo a autarquia, esta variedade surge sobretudo entre julho e setembro. Depois de recolhida, não é sujeita a processamento, seca naturalmente ao sol e é posteriormente embalada. A combinação da raridade, do método manual e do aspeto dos cristais ajuda a explicar a associação frequente da flor de sal ao chamado “ouro branco” das salinas.
Produção segue o ritmo das estações
Nas salinas tradicionais, a água do mar percorre sucessivamente vários tanques, conhecidos como viveiros ou tejos. Durante esse percurso vai aquecendo e evaporando, aumentando gradualmente a concentração de sal até chegar aos talhos, onde ocorre a cristalização.
A época de produção começa normalmente em março, com a preparação das marinhas, e prolonga-se até setembro. Entre março e junho são retiradas lamas, reparados os estragos provocados pelo inverno e preparada a água, aumentando progressivamente a sua concentração salina antes do início das colheitas.
Sal é recolhido à mão e mantém características naturais
O Sal Marinho Tradicional de Castro Marim continua a ser recolhido manualmente através de técnicas transmitidas ao longo de gerações. O produto resulta da interação entre o trabalho humano, as marés, o sol e o vento, não sendo posteriormente submetido a tratamentos que alterem a sua aparência natural.
Segundo o Município de Castro Marim, o sal apresenta-se naturalmente branco e brilhante e conserva diferentes minerais provenientes da água do mar. Nas margens e muros das salinas cresce ainda vegetação adaptada à elevada salinidade, como a salicórnia, planta comestível que tem vindo a ser utilizada na alimentação, nomeadamente como alternativa ao sal em alguns pratos.
Salinas são também importantes para várias aves
A função destes espaços vai muito além da produção. Grande parte das aves aquáticas presentes na Reserva Natural concentra-se nas salinas, onde encontra zonas de alimentação, repouso e, em determinadas épocas do ano, condições para nidificar.
No inverno e durante as migrações podem ser observados patos, garças, cegonhas, colhereiros e diferentes limícolas. Já no final da primavera e durante o verão, espécies como a andorinha-do-mar-anã, o perna-longa, o borrelho-de-coleira-interrompida e o alfaiate utilizam estes habitats para reprodução. Segundo a autarquia, as salinas do sudeste algarvio acolhem o único núcleo reprodutor regular a nível nacional desta última espécie.
Pedido de DOP recebeu decisão nacional favorável
O Sal de Castro Marim e a Flor de Sal de Castro Marim deram entretanto um passo importante em direção ao reconhecimento europeu. Um aviso publicado em março deste ano tornou pública a decisão nacional favorável ao pedido de registo das duas denominações como Denominação de Origem Protegida, apresentado pela Cooperativa Terras de Sal.
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