O tempo pode voltar a complicar-se já no primeiro fim de semana de outubro. Entre sexta-feira, dia 2, e domingo, dia 4, existe risco de trovoadas em Portugal continental, algumas das quais poderão ser acompanhadas por fenómenos localmente fortes.
Segundo uma análise divulgada pela Luso Meteo, uma depressão isolada em altitude deverá posicionar-se a oeste da Península Ibérica, transportando ar mais frio nas camadas superiores da atmosfera e criando condições favoráveis ao desenvolvimento de nuvens convectivas.
Interior será o primeiro a ficar debaixo de olho
Na sexta-feira, dia 2, o sinal mais consistente para a ocorrência de trovoadas concentra-se no Interior. Durante sábado e domingo, a instabilidade poderá alargar-se às regiões Centro e Sul, embora alguns cenários indiquem uma progressão novamente para Norte durante o último dia do fim de semana.
Também não está excluída a chegada de algumas células ao litoral, sobretudo durante sábado. Ainda assim, a localização exata das trovoadas permanece bastante incerta e poderá mudar à medida que a depressão evoluir.
A dificuldade está precisamente na trajetória desta perturbação. Alguns modelos apontam para uma deslocação relativamente rápida para leste, enquanto outros admitem que permaneça praticamente bloqueada a oeste da Península durante mais tempo.
Uma diferença de apenas algumas centenas de quilómetros poderá alterar de forma significativa as regiões mais afetadas, uma vez que influencia a humidade disponível, a temperatura em altitude e a energia necessária para a formação das trovoadas.
Granizo pode acompanhar células mais fortes
Um dos fenómenos que merece atenção é o granizo. De acordo com a Luso Meteo, os valores previstos de instabilidade, com MUCAPE que poderá rondar os 1000 a 2000 J/kg, são suficientes para que algumas células produzam granizo.
O algoritmo convectivo utilizado pelo serviço meteorológico aponta atualmente para pedras próximas dos dois centímetros nas células mais fortes. Num cenário em que os vários ingredientes atmosféricos coincidam, a Luso Meteo refere que não pode ser excluído granizo próximo ou superior a três centímetros.
A previsão a vários dias de distância apresenta, contudo, uma incerteza elevada, pelo que estes valores não significam que granizo destas dimensões venha efetivamente a ocorrer.
Chuva intensa e rajadas até 90 km/h
Outro risco será a concentração de muita precipitação num curto intervalo de tempo. As estimativas atuais apontam para picos horários de aproximadamente 20 a 30 litros por metro quadrado nas células mais ativas.
Não se trata de valores esperados de forma generalizada. A chuva mais intensa deverá ter caráter muito localizado, sendo necessário aproximar-se do fim de semana para perceber com maior precisão quais as regiões com maior probabilidade de serem atingidas.
As trovoadas mais fortes poderão ainda produzir rajadas convectivas na ordem dos 80 a 90 km/h. As zonas montanhosas do Interior merecem particular atenção, já que o relevo pode favorecer o levantamento do ar e contribuir para o desenvolvimento de células mais intensas.
A Luso Meteo considera que os atuais valores de instabilidade apresentam potencial para uma situação que poderá justificar avisos meteorológicos em algumas regiões, pelo menos de nível amarelo. Os avisos oficiais, contudo, são da responsabilidade do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
Para já, o cenário a reter é de um período potencialmente bastante instável entre 2 e 4 de outubro, mas com elevada incerteza quanto à localização e intensidade dos fenómenos. As próximas atualizações dos modelos serão determinantes para perceber onde existe maior risco de chuva forte, granizo e rajadas.
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