Chegou à reforma após trabalhar durante anos e o valor que recebia deixava pouca margem para as despesas do dia a dia. O caso de Ricardo Gomes foi relatado pela Renascença, numa reportagem realizada no Bairro Municipal de Viseu.
Na altura da reportagem, publicada em março de 2023, Ricardo tinha 57 anos e vivia naquele bairro, que estava a ser alvo de uma operação de reabilitação financiada, entre outras verbas, pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
“Trabalhei em pneus a vida toda”
Questionado sobre a visita ao bairro do então Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e do primeiro-ministro António Costa, Ricardo mostrou pouca esperança de que a situação dos moradores pudesse melhorar.
“Trabalhei em pneus a vida toda, tenho 400 euros de reforma”, contou à Renascença. Sobre os responsáveis políticos, acrescentou: “Não fazem nada por nós”.
O testemunho surgiu num contexto em que vários moradores do bairro manifestavam preocupação com o custo de vida e com uma possível atualização das rendas depois da conclusão das obras.
Reformas baixas obrigavam moradores a cortar nas despesas
Ricardo não era o único residente a relatar dificuldades financeiras.
Na mesma reportagem, Maria Teresa, então com 79 anos, revelou receber 417 euros de reforma depois de ter trabalhado como empregada de armazém. Contou que já fazia escolhas na alimentação para conseguir gerir o orçamento, reduzindo, por exemplo, a compra de peixe.
Outra moradora, Adelaide Gaspar, afirmou ter um rendimento inferior a 300 euros e depender da ajuda do filho. O aquecimento central instalado nas casas reabilitadas estava, para vários residentes, praticamente fora de questão devido aos custos do gás.
Rendas eram calculadas em função dos rendimentos
À Renascença, o responsável pela empresa municipal de habitação Habisolvis explicou que as rendas dos moradores só seriam atualizadas depois da reabilitação e tendo em conta os respetivos rendimentos.
O Bairro Municipal de Viseu foi inaugurado em 1948 e a intervenção iniciada em 2020 previa a reabilitação de 40 habitações destinadas às famílias que já ali residiam e a criação de outros 38 fogos para agregados com baixos rendimentos.
Os valores relatados por Ricardo e pelos restantes moradores correspondem, contudo, ao momento em que a reportagem foi realizada, em 2023. Não é possível concluir, a partir desta fonte, qual é atualmente o valor da pensão de Ricardo, uma vez que as pensões foram entretanto objeto de diferentes atualizações.
O testemunho mostra, ainda assim, a realidade enfrentada naquele momento por alguns reformados com rendimentos baixos, para quem despesas como alimentação, energia e habitação consumiam uma parte significativa do orçamento disponível.















