Poucos reparam neste detalhe quando deixam o carro parado durante vários dias. Ligar o motor durante cinco ou dez minutos e voltar a desligá-lo pode transmitir a sensação de que a bateria ficou carregada, mas o resultado pode ser precisamente o contrário do esperado.
O arranque do motor exige energia à bateria. Depois de o automóvel começar a trabalhar, cabe ao alternador fornecer eletricidade e contribuir para repor a carga utilizada.
O problema surge quando o motor é desligado pouco tempo depois. Segundo o RAC, simplesmente ligar ocasionalmente um automóvel e deixá-lo trabalhar durante apenas alguns minutos não deverá ser suficiente para ajudar a bateria e pode mesmo acabar por descarregar uma que já esteja enfraquecida.
Cinco minutos podem não chegar
O alternador não recupera instantaneamente toda a energia utilizada no arranque. É necessário dar tempo ao sistema de carregamento para fazer o seu trabalho.
É também por isso que pequenos percursos sucessivos podem ser prejudiciais. O ACP alerta que conduzir durante períodos muito curtos ou deixar o carro parado durante muito tempo pode encurtar a vida útil da bateria.
O RAC aponta no mesmo sentido: viagens frequentes e curtas podem não dar ao alternador tempo suficiente para carregar devidamente a bateria entre cada arranque.
Assim, ligar o carro durante cinco minutos, desligá-lo e repetir o processo alguns dias depois não deve ser encarado como uma garantia de que a bateria ficará em boas condições.
Conduzir é diferente de deixar o carro ao ralenti
Quando for possível e adequado utilizar o automóvel, conduzi-lo durante algum tempo é uma solução mais eficaz do que simplesmente ligar o motor e deixá-lo parado durante poucos minutos.
O RAC refere como orientação que conduzir durante cerca de 20 a 30 minutos pode, em muitos casos, ser suficiente para ajudar a repor a carga da bateria. O tempo necessário, contudo, não é igual em todos os automóveis e depende do estado da bateria e do sistema de carregamento.
Se o carro permanecer imobilizado durante períodos prolongados, outra possibilidade é recorrer a um carregador ou mantenedor de bateria adequado ao veículo, seguindo sempre as indicações do fabricante.
Há consumos mesmo com o carro parado
Outro detalhe que pode passar despercebido é que deixar o automóvel desligado não significa necessariamente que deixe de existir qualquer consumo elétrico.
Sistemas como alarmes e imobilizadores podem continuar a necessitar de energia. Equipamentos adicionais ligados ao veículo, como algumas câmaras ou outros acessórios, também podem contribuir para descarregar a bateria.
O ACP recomenda evitar consumos elétricos com o motor desligado, como deixar as luzes acesas ou utilizar o rádio, e chama ainda a atenção para a importância do bom funcionamento do alternador.
Estes sinais podem indicar uma bateria fraca
Uma bateria que começa a perder capacidade pode dar alguns avisos antes de deixar definitivamente o condutor apeado.
Dificuldade em colocar o motor a trabalhar, vidros elétricos mais lentos ou problemas em determinados equipamentos podem indicar que existe pouca carga ou que a bateria se aproxima do fim da vida útil.
A luz da bateria no painel também merece atenção. Se permanecer acesa com o motor em funcionamento, o problema pode estar relacionado com o sistema de carregamento e não necessariamente apenas com a própria bateria.
Nestes casos, o mais seguro é verificar o estado da bateria e do alternador numa oficina, sobretudo se o problema se repetir.
Ligar o automóvel durante cinco minutos continua, portanto, a ser muito diferente de carregar devidamente a bateria. Se o carro passa longos períodos parado, alguns minutos ao ralenti podem não compensar sequer a energia utilizada para colocar o motor a trabalhar.
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