Albino tem 42 anos e passou quase metade da vida ligado à construção. Natural da Bolívia, mudou-se para Espanha há cerca de seis anos e continua a exercer o mesmo ofício que aprendeu ainda no seu país. O seu testemunho foi divulgado pelo jornal digital espanhol El Español, que voltou a recuperá-lo recentemente ao abordar a falta de mão de obra, o envelhecimento dos trabalhadores da construção e as diferenças de salários entre os dois países.
A diferença que mais destacava estava no rendimento. Na comparação apresentada, apontava para salários de pedreiro entre 1.300 e 1.400 euros mensais em Espanha e de cerca de 400 euros na Bolívia, por jornadas de oito horas. São valores indicados pelo trabalhador, não uma comparação estatística dos salários praticados nos dois países.
Começou como pedreiro aos 25 anos
O caminho de Albino na construção começou por influência familiar. Segundo as declarações, um primo que já trabalhava como pedreiro levou-o para o ofício e ensinou-lhe técnicas. O trabalhador recordou que, no início, ainda tinha dificuldades em tarefas básicas, como assentar corretamente um tijolo.
Albino afirmou ter começado aos 25 anos, o que correspondia a aproximadamente 17 anos de experiência quando prestou o testemunho. Além do trabalho de construção, referiu desempenhar tarefas de gestão de obra em Espanha.
Os mesmos horários mas salários com cerca de 1.000 euros de diferença
Na comparação feita pelo trabalhador, a diferença mensal situava-se entre 900 e 1.000 euros. “Em termos de horas, trabalha-se o mesmo, oito horas”, afirmou, segundo a mesma fonte. A declaração descreve a sua perceção dos dois mercados, não demonstra que todos os pedreiros tenham salários ou horários iguais aos que indicou.
O relato não esclarece se os montantes eram brutos ou líquidos, nem se correspondiam a 12 ou 14 pagamentos anuais. Também não apresenta recibos de vencimento que permitam confirmar os seus rendimentos pessoais. Por isso, os números não devem ser tratados como salários garantidos em 2026 nem permitem, isoladamente, comparar o poder de compra nos dois países.
A escassez de trabalhadores na construção espanhola tem, contudo, sido documentada. Numa análise publicada em 14 de julho de 2025, o BBVA Research assinalava que as vagas por preencher no setor tinham duplicado desde 2020. O estudo identificava a falta de mão de obra e o envelhecimento dos profissionais como obstáculos à atividade. Esta comparação refere-se ao período analisado naquela publicação, não a uma atualização de setembro de 2026.
Além dos salários Albino encontrou diferenças nos materiais
O salário não foi a única diferença que relatou. Albino destacou a variedade de materiais disponíveis nas obras em Espanha, mencionando diferentes tipos de gesso, cimento e argamassas. Na sua experiência na Bolívia, explicou, tinha trabalhado com uma oferta mais limitada. Trata-se de uma apreciação pessoal sobre os materiais que conheceu, não de uma avaliação técnica de toda a construção nos dois países.
Apesar das exigências do ofício, mostrou satisfação com o trabalho. Entre as tarefas que mais apreciava estavam os trabalhos com gesso e tijolo, mas valorizava sobretudo a possibilidade de ver uma construção ganhar forma através da sua intervenção.
Trabalhadores estrangeiros têm ganho peso no mercado espanhol
O percurso de Albino pode ser enquadrado numa transformação mais ampla do emprego em Espanha. Numa análise publicada em 2 de junho de 2026, com informação relativa ao primeiro trimestre, o BBVA Research indicava que o emprego da população estrangeira ou com dupla nacionalidade tinha aumentado 53% desde o final de 2019.
Segundo os autores, este grupo explicava quase dois terços da criação líquida de emprego desde a pandemia. Os dados dizem respeito ao conjunto da economia espanhola, não apenas à construção.
Na construção, um estudo do mesmo serviço de investigação económica, publicado em junho de 2025, identificava sinais de rejuvenescimento das equipas desde 2022 que poderiam estar associados à entrada de trabalhadores estrangeiros. Os autores apontavam também a necessidade de melhorar a formação e a produtividade, sem apresentar a imigração como solução suficiente para todas as dificuldades do setor.
No seu testemunho, Albino salientou tanto as diferenças salariais como a experiência adquirida com outros materiais e métodos de trabalho. Entre as mudanças, havia algo que continuava a valorizar desde os primeiros anos no ofício: a satisfação de poder “construir algo com as minhas mãos”.
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