A possibilidade de colocar os três filhos numa escola privada por cerca de 25.000 euros anuais esteve entre os motivos que levaram Abbie e Michael Shone a trocar o Reino Unido pelo Algarve. De acordo com o jornal britânico The Sun, o casal calcula que, no Reino Unido, pagaria aproximadamente 48.000 libras (cerca de 56.000 euros) por ano pela educação privada das crianças.
Abbie, de 36 anos, e Michael, de 38, mudaram-se de Buckhurst Hill, no condado inglês de Essex, para Vilamoura em abril de 2022. A família, que tem um filho mais velho e gémeos, procurava conciliar o trabalho à distância com uma rotina que considerasse compatível com as necessidades dos três rapazes.
Uma diferença de pouco mais de 30.000 euros por ano
Atualmente, os Shone pagam 2.500 euros por mês durante 10 meses para a escola privada dos três filhos, o que perfaz 25.000 euros anuais. Segundo a mesma fonte, a comparação feita pela família aponta para uma diferença de cerca de pouco mais de 30.000 por ano face ao que esperava gastar numa escola privada britânica.
Antes da mudança, o filho mais velho frequentou durante dois anos uma escola privada no Reino Unido, com um custo anual de 16.000 libras (quase 19.000 euros). Abbie disse ao jornal que seria possível manter essa opção para os filhos em Inglaterra, mas apenas com uma gestão financeira muito mais apertada e sem margem para outras despesas familiares.
Escolha de uma escola privada
A decisão de recorrer ao ensino privado em Portugal resultou também da necessidade de previsibilidade no quotidiano dos pais. Abbie afirmou que as interrupções nas aulas da rede pública e alterações nos horários podiam criar dificuldades para uma família em que ambos os adultos trabalham a tempo inteiro.
“Foi um fator importante para decidirmos colocar os miúdos numa escola privada”, explicou. A declaração descreve a experiência da família e não uma avaliação geral do sistema de ensino português, uma vez que a opção tomada está ligada à sua organização profissional e familiar.
Entre o currículo português e o britânico
O filho mais velho começou por frequentar a vertente nacional da escola, seguindo o currículo português. Contudo, segundo contou Abbie, a integração revelou-se difícil e a criança passou, há dois anos, para a componente internacional, onde segue o currículo britânico.
Os gémeos deverão continuar na vertente nacional, depois de terem frequentado uma creche portuguesa. A publicação acrescenta que a família vê benefícios no contacto com o ensino em português, embora reconheça que o percurso escolar dos três filhos não tem de ser necessariamente igual.
Trabalho à distância abriu a possibilidade
A mudança para o Algarve foi facilitada pela experiência adquirida durante a pandemia. Abbie era responsável de operações numa empresa de retalho, coordenava mais de 200 pessoas e cumpria semanas de trabalho que chegavam às 50 horas. Hoje exerce funções de assistente virtual à distância.
Michael trabalha como programador de software a tempo inteiro. A possibilidade de trabalhar remotamente permitiu ao casal avançar com a mudança quando os gémeos ainda não tinham iniciado a escola. “Agora consigo realmente desligar”, disse Abbie sobre a alteração no seu percurso profissional.
Casa, despesas e planos para o futuro
Depois de venderem a casa de três quartos em Essex por cerca de 600.000 libras (cerca de 700.000 euros), compraram no Algarve uma moradia de quatro quartos, com piscina e terreno, por um preço semelhante. A casa dispõe de furo próprio, pelo que a família não paga água, e a fatura mensal de eletricidade ronda os 180 a 200 euros.
Apesar de visitarem familiares e amigos, Abbie disse ao The Sun que não prevê regressar ao país de origem, admitindo apenas que, mais tarde, a família possa ponderar Lisboa, Porto ou até Copenhaga, na Dinamarca.
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