Nasceu em 1915, constituiu família, trabalhou durante décadas no campo e chegou aos 111 anos. Joaquim Varela tornou-se agora o homem vivo mais velho conhecido da Europa, depois da morte do italiano Vitantonio Lovallo, que tinha 112 anos, de acordo com os registos de longevidade disponíveis.
A história foi destacada pelo Contacto. O português consta dos registos do Gerontology Research Group (GRG), organização especializada na validação das idades de supercentenários, e é também apontado pela LongeviQuest como o sucessor do italiano na Europa.
Morte do homem mais velho de Itália colocou português no topo europeu
Vitantonio Lovallo morreu a 15 de setembro de 2026, em Avigliano, na região italiana da Basilicata, com 112 anos e 171 dias, segundo a informação publicada pelo GRG e pela LongeviQuest.
Até então, era o homem vivo mais velho conhecido da Europa. O italiano tinha assumido essa posição em maio, após a morte do romeno Ilie Ciocan. Poucos meses depois, Joaquim Varela passou a ser apontado como o seu sucessor.
Joaquim nasceu em 1915 e a sua idade já foi validada
O Gerontology Research Group regista Joaquim Varela como nascido a 1 de junho de 1915. A LongeviQuest utiliza a mesma data e identifica Ourique, no distrito de Beja, como o seu local de nascimento.
Existe, porém, uma diferença entre a data usada nos registos de longevidade e aquela em que a família assinala o aniversário. As comemorações realizam-se a 13 de maio, como documentou o jornal Setúbal Mais na reportagem sobre os seus 111 anos. Para a contagem da idade validada, as duas organizações adotam 1 de junho.
A idade de Joaquim foi formalmente validada pelo GRG em 15 de outubro de 2025, conforme consta da base de dados da organização.
Casou, teve filhos e trabalhou durante anos numa herdade
A longa vida de Joaquim atravessou profundas mudanças em Portugal. Casou com Augusta Parreira e constituiu família. Segundo a biografia publicada pela LongeviQuest, começou a trabalhar ainda em criança, a guardar animais, dedicando-se depois à agricultura e à criação de gado.
Num testemunho divulgado pelo Setúbal Mais, o neto Hélder Varela recordou que o casal trabalhou durante muitos anos numa herdade que não lhe pertencia, numa vida fortemente ligada ao mundo rural. Depois de ficar viúvo, Joaquim passou a dividir o tempo entre as casas das filhas, em São Brás de Alportel e no Cercal do Alentejo.
Aos 111 anos dizia que ainda não queria morrer
Quando celebrou os 111 anos, em maio deste ano, Joaquim recebeu uma homenagem da Junta de Freguesia do Cercal do Alentejo. O presidente, Carlos Rodrigues, destacou então as histórias e memórias acumuladas ao longo de mais de um século, conforme noticiou a Rádio Sines.
Entre as frases atribuídas a Joaquim nessa altura há uma que resume a vontade de continuar. Segundo o relato do neto publicado pelo Setúbal Mais, disse-lhe: “Estou cansado, mas não quero morrer ainda! Quero ver o casamento do Diogo”.
No mesmo testemunho, Hélder Varela descreveu o avô como uma pessoa bem-disposta, teimosa e com um sentido de humor muito próprio, que continuava interessada nas notícias e nas conquistas dos netos e bisnetos.
É também um dos homens mais velhos do mundo
Chegar aos 111 anos coloca Joaquim Varela no grupo dos supercentenários com idade documentada. Em Portugal, já era considerado o homem vivo mais velho conhecido desde setembro de 2022, segundo a LongeviQuest.
No momento da morte de Vitantonio Lovallo, a LongeviQuest identificava o italiano como o terceiro homem vivo mais velho do mundo, atrás de João Marinho Neto, do Brasil, e de Ken Weeks, da Austrália. Joaquim passou a liderar a lista europeia, mas essa sucessão não significa que tenha herdado a posição mundial do italiano.
Há algum segredo para chegar aos 111 anos?
A história de Joaquim é marcada pelo trabalho, pela vida rural e pela proximidade da família, mas estes elementos não permitem estabelecer uma fórmula para a longevidade.
Conforme explica a Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos, através do portal MedlinePlus, a duração da vida é influenciada pela genética, pelo ambiente e pelo estilo de vida. As condições de habitação, a alimentação e o acesso a cuidados de saúde também fazem parte deste quadro.
No caso do português, o que os registos permitem afirmar é que atravessou mais de 111 anos de mudanças sociais e históricas e chega a setembro de 2026 com um novo marco: é o homem vivo mais velho conhecido da Europa.
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