Com o fim do verão e o regresso gradual da chuva, há componentes do carro que merecem uma verificação antes de o piso voltar a ficar molhado. Pneus, travões e limpa-para-brisas estão entre os pontos mais importantes, mas oficinas e especialistas alertam para outros elementos que podem ter sofrido com o calor e as viagens dos últimos meses.
A recomendação ganha particular atualidade nesta altura do ano. Num conteúdo publicado a 2 de setembro, a Fucarauto, oficina mecânica espanhola de Huelva com mais de 50 anos de atividade, chamou a atenção para sete verificações depois das férias.
Segundo os especialistas, o calor do verão e os percursos mais longos podem acelerar o desgaste de componentes como pneus, travões e bateria, tornando setembro uma altura adequada para verificar o estado do automóvel. Incluem ainda a iluminação e os limpa-para-brisas entre os elementos que devem receber atenção antes do outono.
Pneus do carro devem ser dos primeiros elementos a verificar
Os pneus aparecem no início da lista da Fucarauto. A oficina recomenda controlar a pressão, observar o desgaste da banda de rodagem e confirmar que este é uniforme, além de procurar cortes, deformações ou sinais de impactos. Depois de muitos quilómetros durante o verão, uma anomalia que passou despercebida em piso seco pode tornar-se mais relevante quando começam as primeiras chuvas.
Em Portugal, o Automóvel Club de Portugal (ACP) recorda que a profundidade do piso dos pneus deve ser superior ao mínimo legal de 1,6 milímetros e que a pressão deve respeitar os valores indicados pelo fabricante do automóvel. Uma pressão inferior à recomendada aumenta o risco de aquaplanagem e pode também aumentar a distância de travagem quando o piso está molhado.
Não basta, portanto, olhar rapidamente para o pneu e concluir que ainda tem borracha suficiente. Rasgões, bolhas e desgaste irregular também devem ser observados, enquanto a pressão deve ser medida regularmente. O ACP aconselha uma verificação mensal e lembra que o valor correto depende do veículo e das recomendações do respetivo fabricante.
Travões ganham importância quando começa a chover
Os travões são outro dos componentes destacados pelas oficinas. É recomendado estar atento a ruídos ou chiar durante a travagem, vibrações, alterações no comportamento do pedal, aumento da distância necessária para imobilizar o veículo ou tendência do carro para se desviar quando trava. Se algum destes sinais aparecer, a recomendação é levar o sistema a uma oficina para ser verificado.
Esta verificação torna-se especialmente importante com chuva porque a aderência disponível entre os pneus e o asfalto diminui. Os especialistas alertam que o piso escorregadio aumenta as distâncias de travagem e recomendam confirmar o estado das pastilhas, dos discos e do circuito de travagem. Se existirem dúvidas sobre estes componentes, a avaliação deve ser feita numa oficina.
Limpa-para-brisas podem revelar o desgaste do verão na primeira chuva
Um dos problemas mais fáceis de ignorar durante os meses secos está mesmo à frente do condutor. A exposição prolongada ao sol e às temperaturas elevadas pode deteriorar as escovas dos limpa-para-brisas. A oficina espanhola recomenda substituí-las quando deixam zonas do vidro por limpar, fazem ruído ou já não conseguem retirar corretamente a água.
Há ainda outro problema que pode surgir depois de um longo período seco. Poeira, areia, restos de insetos e outra sujidade acumulada no para-brisas podem misturar-se com a água das primeiras chuvas, formando uma película que reduz a visibilidade. Escovas endurecidas ou desgastadas podem piorar a situação ao arrastar a sujidade em vez de a remover.
Se o vidro estiver coberto por uma quantidade significativa de areia ou pó seco, também não é aconselhável ligar imediatamente as escovas. Partículas presas entre a borracha e o vidro podem tornar-se abrasivas e provocar riscos, pelo que é preferível retirar primeiro a maior parte da sujidade com água.
Luzes do carro ajudam a ver e a ser visto com chuva
As primeiras chuvas coincidem também com uma redução progressiva das horas de luz. De acordo com a fonte inicial, é recomendado confirmar o funcionamento dos médios, máximos, indicadores de mudança de direção, luzes de travagem, marcha atrás, nevoeiro e iluminação da matrícula, uma vez que a visibilidade assume maior importância à medida que se aproxima o outono.
Além de permitir ao condutor distinguir melhor a estrada em condições adversas, um sistema de iluminação em boas condições ajuda os restantes utilizadores a identificar o automóvel quando a chuva, os salpicos de outros veículos ou a diminuição da luz natural reduzem a visibilidade.
Bateria também pode ter sofrido com o calor
A chuva não é a única razão para fazer uma revisão nesta altura. As temperaturas elevadas do verão também podem afetar a bateria. É necessária atenção quando o motor começa a demorar mais a pegar, as luzes parecem ter menor intensidade ou surgem alterações no funcionamento dos sistemas elétricos. Nestes casos, um teste à bateria pode antecipar uma falha posterior.
A recomendação faz parte de uma revisão preventiva destinada não apenas às chuvas, mas à mudança geral das condições de utilização do carro no outono.
Não se esqueça dos líquidos do carro
Uma revisão antes do outono pode ainda incluir os níveis de óleo, líquido de refrigeração, líquido dos travões e depósito do limpa-para-brisas. A Fucarauto recomenda confirmar estes elementos depois de períodos com muitos quilómetros e procurar eventuais perdas.
O ACP acrescenta outro ponto que pode passar despercebido: as borrachas de vedação das portas, janelas e bagageira. A chuva intensa pode expor zonas já ressequidas, cortadas ou degradadas e permitir a entrada de água no habitáculo.
Uma inspeção visual antes do período mais chuvoso pode, por isso, identificar antecipadamente sinais de deterioração.
Há sinais no carro que justificam uma ida à oficina
Nem todas estas verificações obrigam automaticamente a passar pelo mecânico, mas existem sinais que não devem ser ignorados. Desgaste irregular dos pneus, falta de estabilidade, ruídos ou vibrações ao travar, dificuldade no arranque, avisos elétricos ou escovas que já não limpam devidamente são alguns dos sintomas que oficinas especializadas aconselham a verificar antes de a chuva se tornar uma presença regular nas estradas.
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