A inteligência artificial já faz parte da rotina de milhões de pessoas. Seja para escrever emails, esclarecer dúvidas, resumir documentos ou procurar aconselhamento sobre os mais diversos temas, ferramentas como ChatGPT, Gemini, Copilot ou Claude tornaram-se presenças habituais no quotidiano. No entanto, especialistas em privacidade e cibersegurança alertam que algumas informações nunca deveriam ser partilhadas com estes sistemas.
De acordo com a Executive Digest, a crescente popularidade dos chatbots tem levado muitos utilizadores a esquecer que, apesar da aparência conversacional, estas plataformas continuam a ser sistemas informáticos que recolhem, processam e, em determinados casos, conservam dados introduzidos pelos utilizadores.
A preocupação não é meramente teórica. Um estudo do Stanford Institute for Human-Centered AI concluiu que várias das principais empresas responsáveis pelo desenvolvimento de ferramentas de inteligência artificial utilizam as interações dos utilizadores para aperfeiçoar os seus modelos. Em alguns casos, os dados podem ser conservados por longos períodos.
Dados pessoais que o identificam
Uma das principais recomendações dos especialistas passa por evitar a introdução de informações que permitam identificar diretamente uma pessoa.
Nesta categoria encontram-se elementos como o nome completo, a morada, o número de telefone, o número do cartão de cidadão, dados do passaporte ou da carta de condução.
Segundo especialistas em segurança da informação citados pelo HuffPost, estes dados podem tornar-se particularmente valiosos para cibercriminosos, aumentando o risco de fraude, roubo de identidade ou ataques de phishing direcionados.
O mesmo cuidado deve aplicar-se aos documentos carregados para estas plataformas. Um currículo, por exemplo, pode conter moradas, contactos ou outras referências pessoais que convém remover antes de o submeter a um chatbot para revisão.
Informações íntimas da vida privada
A forma como os chatbots comunicam cria frequentemente uma sensação de proximidade que pode levar os utilizadores a revelar mais do que pretendiam.
Pensamentos pessoais, dificuldades emocionais, problemas familiares ou detalhes sobre relacionamentos são exemplos de conteúdos que muitos acabam por partilhar devido à natureza aparentemente confidencial destas conversas.
Contudo, os especialistas recordam que estas ferramentas não são amigos nem terapeutas. Apesar da linguagem natural e da capacidade de manter um diálogo coerente, continuam a funcionar através do processamento de dados.
Por essa razão, qualquer informação muito pessoal deve ser tratada com cautela antes de ser inserida numa conversa com inteligência artificial.
Dados médicos e informações de saúde
As questões relacionadas com saúde também integram a lista de conteúdos considerados sensíveis.
Embora seja cada vez mais comum recorrer a chatbots para obter explicações sobre sintomas, exames ou tratamentos, os especialistas aconselham a não introduzir registos clínicos, relatórios médicos ou outros documentos de saúde que contenham dados pessoais.
Além das preocupações com a privacidade, existe ainda a possibilidade de as respostas não serem totalmente precisas ou adequadas a situações clínicas concretas.
Sempre que seja necessário recorrer a estas ferramentas para compreender determinada condição de saúde, a recomendação passa por remover previamente todos os elementos identificativos.
Informação profissional confidencial
A utilização de inteligência artificial no contexto laboral exige cuidados acrescidos.
Relatórios internos, estratégias empresariais, dados de clientes, contratos, propostas comerciais, código-fonte ou conteúdos protegidos por acordos de confidencialidade não devem ser introduzidos em plataformas públicas de inteligência artificial.
Os especialistas alertam que uma simples partilha pode criar riscos legais, regulamentares ou contratuais para empresas e trabalhadores.
Em setores sujeitos a regras rigorosas de proteção de dados ou sigilo profissional, a exposição inadvertida de informação sensível pode ter consequências particularmente graves.
Dados financeiros e documentos fiscais
Extratos bancários, números de conta, informações sobre investimentos, cartões de crédito, recibos de vencimento ou declarações de IRS são outros exemplos de conteúdos que devem permanecer longe destes sistemas.
Segundo vários especialistas em cibersegurança, este tipo de informação pode ser especialmente atrativo para burlões e criminosos informáticos.
Caso seja comprometida, a exposição destes dados pode facilitar fraudes financeiras, tentativas de extorsão ou esquemas de engenharia social dirigidos não apenas ao utilizador, mas também aos seus familiares.
O que fazer se já partilhou informação sensível?
Quem já introduziu dados desta natureza num chatbot ainda pode tomar algumas medidas para reduzir os riscos.
Uma das recomendações mais frequentes consiste em apagar o histórico das conversas que contenham informação sensível. Embora isso não garanta a eliminação completa dos dados dos sistemas das empresas responsáveis, pode dificultar o acesso às informações caso a conta venha a ser comprometida.
Os especialistas aconselham ainda a rever as definições de privacidade disponíveis em cada plataforma. Algumas permitem desativar o histórico, limitar a utilização das conversas para treino dos modelos ou controlar os dados que ficam associados à conta.
Outra estratégia passa por recorrer a descrições genéricas em vez de nomes reais. Em muitos casos, é possível obter a mesma ajuda substituindo referências específicas por expressões mais vagas, reduzindo assim a exposição de informação pessoal.
Segundo a mesma fonte, a regra mais simples continua a ser também a mais eficaz: antes de enviar qualquer mensagem, vale a pena perguntar se se sentiria confortável caso aquela informação aparecesse perante colegas de trabalho, familiares ou outras pessoas. Se a resposta for negativa, talvez seja melhor não a partilhar com um chatbot.
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