Uma nova burla associada ao WhatsApp está a suscitar preocupação entre as autoridades portuguesas devido à forma como funciona. Ao contrário de muitos esquemas já conhecidos, em que a vítima é levada a clicar numa ligação, instalar uma aplicação ou fornecer códigos de verificação, este método poderá permitir que terceiros assumam o controlo da conta sem que o utilizador execute qualquer ação. A situação afeta, em particular, equipamentos iPhone com versões desatualizadas do sistema operativo.
De acordo com o Notícias ao Minuto, esta é uma fraude particularmente difícil de detetar porque o utilizador “não precisa de nada seu, nem um clique, nem um código”. Os atacantes aproveitam vulnerabilidades para copiar a conta para outro dispositivo e enviar mensagens em nome da vítima.
Como funciona o esquema
Segundo a mesma fonte, o ataque permite que existam, na prática, duas versões da mesma conta. Uma permanece no telemóvel da vítima, aparentemente sem qualquer alteração visível, enquanto a outra passa a ser controlada pelos criminosos.
É precisamente esta característica que torna o esquema particularmente difícil de identificar. Enquanto o utilizador continua a abrir a aplicação e a utilizá-la normalmente, os burlões podem estar a enviar mensagens em seu nome para familiares, amigos ou colegas.
As mensagens seguem um padrão já conhecido. Os contactos recebem pedidos urgentes de ajuda financeira, habitualmente acompanhados por justificações relacionadas com problemas bancários ou dificuldades temporárias em realizar transferências. A urgência é utilizada para pressionar a vítima a agir rapidamente e sem confirmar a autenticidade do pedido.
A PSP alerta que estas conversas podem não aparecer no telemóvel do verdadeiro titular da conta. As mensagens ficam visíveis apenas no dispositivo controlado pelos criminosos e nos equipamentos de quem as recebe, dificultando a deteção da fraude.
Quem está mais exposto
O esquema explora uma vulnerabilidade identificada em versões antigas do iOS. De acordo com as autoridades, os ataques poderão afetar equipamentos que utilizem versões anteriores à 16.7.12 do sistema operativo da Apple, quando essa falha é combinada com uma segunda vulnerabilidade relacionada com o WhatsApp.
Por essa razão, manter o software atualizado assume um papel essencial na prevenção. As correções de segurança disponibilizadas pelos fabricantes destinam-se precisamente a eliminar vulnerabilidades que possam ser exploradas por atacantes.
As recomendações das autoridades
Para reduzir o risco de ser alvo deste tipo de burla, as autoridades recomendam atualizar regularmente o iPhone e o WhatsApp para as versões mais recentes disponíveis.
Outra das medidas consideradas importantes passa por ativar a confirmação em duas etapas dentro da aplicação de mensagens. Esta funcionalidade acrescenta uma camada adicional de proteção à conta e dificulta acessos não autorizados.
A PSP aconselha ainda a criação de uma palavra ou código combinado entre familiares e pessoas próximas. Em caso de dúvida sobre um pedido de dinheiro recebido através do WhatsApp, essa palavra pode servir como elemento de verificação antes de qualquer transferência.
O que fazer se suspeitar de uma invasão
Quem desconfie que a sua conta poderá estar comprometida deve verificar imediatamente os dispositivos associados ao WhatsApp. Para isso, basta aceder às definições da aplicação e consultar a secção de dispositivos ligados.
Caso identifique um equipamento que não reconhece, a recomendação é terminar essa sessão de imediato. Também é aconselhável instalar todas as atualizações pendentes do iOS e do WhatsApp e reforçar as definições de segurança da conta.
Se já tiver ocorrido uma fraude financeira, a situação deve ser comunicada às autoridades competentes, nomeadamente à PSP, à GNR, à Polícia Judiciária ou ao Ministério Público.
Segundo a PSP, os utilizadores podem igualmente recorrer ao projeto Guardião, uma plataforma criada para ajudar a identificar padrões de burla em tempo real e bloquear chamadas ou mensagens fraudulentas. A iniciativa surgiu pela mão da engenheira informática Rita Barbosa e conta com protocolos de colaboração com várias entidades, incluindo a própria PSP, no âmbito da prevenção deste tipo de crimes.
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