A cerâmica de Porches ganhou novo fôlego no final da década de 1960, quando os artistas Patrick Swift e Lima de Freitas decidiram criar uma olaria numa altura em que o trabalho dos oleiros tradicionais estava em declínio no Algarve. De acordo com o portal Algarve Addicts, os dois fundaram a Olaria Algarve, mais conhecida como Porches Pottery, em 1968.
A iniciativa surgiu numa região onde o barro era trabalhado há séculos, mas onde os objetos produzidos em plástico e metal tinham reduzido o espaço dos artigos feitos à mão. Swift, artista irlandês radicado no Algarve, e Lima de Freitas, pintor português, escolheram Porches, no concelho de Lagoa, para desenvolver um projeto que acabaria por ficar ligado à identidade da vila.
Quando a tradição começou a perder terreno
Na década de 1960, a produção artesanal de cerâmica enfrentava uma redução acentuada. O Algarve Addicts refere que, quando Patrick Swift chegou à região, restavam apenas dois oleiros em atividade na vizinha Lagoa, num contraste com a longa utilização de argila naquele território.
O artista tinha registado, num livro dedicado ao Algarve publicado em 1965, a perda de qualidade da cerâmica regional. Três anos mais tarde, avançou com Lima de Freitas para a criação de uma oficina, procurando recuperar técnicas e motivos associados à produção de louça decorativa.
Experiência que não tinham
A escolha teve uma particularidade: nenhum dos dois artistas sabia trabalhar à roda de oleiro. Patrick Swift reconheceria mais tarde que a decisão fora “tão imprudente que, olhando para trás, não sei como tivemos a ousadia de começar”.
Segundo a mesma fonte, o passo seguinte foi procurar conhecimento local. Gregório Rodrigues, oleiro da região, aceitou colaborar com os fundadores, enquanto Swift e Lima de Freitas estudaram peças e referências históricas em museus europeus. Dessa pesquisa resultaram desenhos inspirados em elementos mouriscos, fenícios e romanos.
Flores, animais e motivos pintados à mão
As peças produzidas em Porches passaram a distinguir-se pela presença de flores, animais e elementos vegetais pintados à mão. A publicação explica que a oficina recorreu à técnica de majólica, baseada na aplicação de vidrado de estanho, associada à influência mourisca na cerâmica europeia.
O primeiro espaço funcionou numa quinta, com fornos a lenha, antes de a atividade ganhar instalações próprias. Em 1973 foi construído o atual edifício, com apoio de uma subvenção estatal e um projeto assinado por Patrick Swift, que procurou reproduzir a linguagem das casas tradicionais algarvias.
História que continuou depois dos fundadores
A morte de Patrick Swift, em 1983, não interrompeu o trabalho da olaria. A mulher, Oonagh Swift, assumiu a gestão durante mais de duas décadas e manteve a atividade até morrer, em 2012. Atualmente, o projeto é conduzido pelas filhas do casal, Estella Swift Goldmann e Juliet Swift.
A mesma fonte refere ainda que vários artesãos permanecem ligados à produção há muitos anos. A influência de Swift em Porches ultrapassou, porém, a olaria: participou na criação da antiga escola internacional da região, desenhou o interior do atual restaurante O Leão de Porches e criou as estações da Via-Sacra da igreja paroquial, onde está sepultado.















