A alga invasora Rugulopteryx okamurae, detetada no Algarve desde 2021, é alvo de um programa nacional aprovado pelo Governo para conter a sua expansão e reduzir os impactos na pesca, no turismo e nos ecossistemas marinhos.
Anunciado em 21 de setembro pelo Ministério do Ambiente e Energia, o Programa de Ação Nacional para o Controlo da Macroalga Invasora Rugulopteryx okamurae 2026-2030 concretiza uma estratégia aprovada em 2025.
Os primeiros registos da espécie em Portugal continental ocorreram no Algarve, mas a alga já se disseminou pela costa alentejana e está presente na zona de Cascais desde 2024. Nos Açores, onde foi identificada pela primeira vez em 2019, chegou a oito das nove ilhas.
Originária do Pacífico Norte, esta alga castanha integra a lista de espécies exóticas invasoras que suscitam preocupação na União Europeia.
Erradicação é considerada praticamente impossível
O ministério reconhece que as características da espécie e o grau de disseminação já alcançado tornam a sua erradicação praticamente impossível. “Não é realista prometer a erradicação”, afirmou a ministra Maria da Graça Carvalho, citada no comunicado divulgado pela Lusa.
A resposta passa, por isso, pela monitorização, contenção e redução dos impactos, procurando atuar rapidamente perante novas áreas de invasão e limitar os prejuízos onde a alga já está instalada.
Entre as consequências identificadas estão a diminuição das capturas, os danos nas artes de pesca, a perda de atratividade das praias e os custos acrescidos para as autarquias com a remoção da biomassa acumulada.
Satélites, sensores e câmaras vão reforçar a vigilância
Para antecipar a resposta, o programa prevê uma Base de Dados Nacional Georreferenciada (WebGIS), estações de vigilância em pontos estratégicos e câmaras remotas em zonas críticas.
O acompanhamento recorrerá também a sensores subaquáticos, imagens de satélite e veículos aéreos não tripulados.
Nas intervenções no terreno, as soluções serão adaptadas a cada local. Estão previstas a remoção manual e mecânica, a extração na coluna de água e a instalação de barreiras de contenção ou deflexão.
O programa inclui igualmente procedimentos para o transporte estanque e o armazenamento temporário em terra da biomassa recolhida.
Investigação abrange remoção, restauro e aproveitamento da biomassa
Além da intervenção direta, serão desenvolvidos e testados métodos de remoção sustentável e avaliados os impactos ambientais e económicos da espécie.
Estão também previstos ensaios de restauro ecológico dos ecossistemas após a remoção, bem como o estudo do potencial de valorização da biomassa recolhida.
Segundo o ministério, as possíveis vias de disseminação incluem as águas de lastro, as incrustações nos cascos das embarcações, os equipamentos de pesca, a aquicultura e a dispersão natural.
Comunidades locais e cooperação internacional integram resposta
O plano contempla ações de formação e sensibilização dirigidas às comunidades envolvidas, incluindo os setores da pesca e do turismo e as zonas balneares. Prevê ainda um canal de comunicação com Espanha e outros países onde a alga ocorre.
Maria da Graça Carvalho afirmou que o objetivo é “passar de intervenções pontuais para uma atuação nacional, assente na ciência, prevenção, deteção precoce e capacidade de resposta”.
“Queremos proteger os ecossistemas marinhos e, ao mesmo tempo, reduzir os impactes sobre os pescadores, as autarquias, o turismo e as populações”, acrescentou a ministra.















