As reservas de água no Algarve estão “muito acima” das registadas em 2025, afirmou a ministra do Ambiente e da Energia, Maria da Graça Carvalho, em 21 de setembro. A governante manifestou, porém, preocupação com a maior escassez no Norte e no Centro do país, onde três bacias apresentam uma situação pior do que no ano passado.
Em declarações aos jornalistas citadas pela Lusa, a ministra estimou que as reservas nacionais estejam nos 75%, acima dos 72% de 2025.
“No ano passado, a média nacional era 72% de reservas [de água], neste momento temos, penso que, 75%. De qualquer maneira, há algo completamente diferente que me preocupa em relação a todos os anos passados que é a maior escassez no Norte e no Centro do que no Sul”, afirmou.
Lima, Vouga e Mondego em pior situação do que no ano passado
As bacias do Lima, do Vouga e do Mondego são as três que “estão pior do que no ano passado”, explicou Maria da Graça Carvalho. Em contraste, além do Algarve, a governante apontou uma melhoria no Litoral Alentejano, no Tejo e no Guadiana.
As declarações foram prestadas durante uma visita às obras de intervenção no rio Arunca, em Soure, no distrito de Coimbra, após as tempestades do início do ano.
A visita integrou o Dia do Município, ocasião em que a ministra recebeu a Medalha de Ouro.
Menos água pode aumentar necessidade de recorrer ao gás
Maria da Graça Carvalho defendeu uma monitorização rigorosa da água, tanto pela sua importância para as atividades socioeconómicas como pela ligação à produção de eletricidade.
Segundo a ministra, o peso das energias renováveis tem ajudado a proteger Portugal da subida do preço do gás. Neste equilíbrio, destacou a produção hídrica como uma fonte “preciosa”, que confere estabilidade ao sistema.
“Agora, se tivermos menos água, teremos que ter alguma cautela e algum cuidado em relação à utilização da hídrica, o que nos vai obrigar a usar mais gás, que está muito caro”, advertiu.
A governante garantiu que todas as bacias estão a ser acompanhadas e que a utilização da energia hídrica está a ser feita de forma cautelosa, para preservar esse equilíbrio.
“Estamos a monitorizar todos os efeitos e todas as bacias, dia a dia, hora a hora”, afirmou.
Ministra antecipa “tempos difíceis”
Maria da Graça Carvalho referiu ainda a ausência de previsão de chuva até ao final de setembro e algumas indicações de eventos extremos no início do próximo ano, defendendo “muita cautela”.
“O que eu quero dizer é que se aproximam tempos difíceis, nunca foram fáceis desde que estamos no Governo”, declarou.
A ministra descreveu a guerra e a instabilidade internacional como a sexta crise enfrentada pelo Governo em dois anos, sublinhando a ligação entre os desafios da água e da energia.
“Há muitas coisas que se conjugam e que se ligam com a energia em geral e com a água, mas estamos muito cientes, preocupados e vigilantes em relação a todos estes fenómenos”, concluiu.
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