A proposta do executivo de Faro para contratar um empréstimo de 10 milhões de euros foi rejeitada hoje, dia 21 de setembro, pelos três vereadores do PSD e pelos dois do Chega. O presidente da Câmara, António Pina, acusou a oposição de impedir a concretização do programa eleitoral, enquanto os sociais-democratas contestaram a alteração das prioridades de investimento.
O executivo socialista, com quatro eleitos e sem maioria na Câmara, pretendia também resolver um contrato de empréstimo de 16 milhões de euros aprovado durante a gestão do PSD, destinado a financiar projetos considerados estruturantes para a cidade.
Segundo o PSD/Faro, o novo financiamento serviria, entre outras intervenções, para a Ecovia entre Faro e Olhão, a requalificação do Bairro Ribeirinho, obras no Campo de Futebol da Penha e a intervenção no largo do Mercado.
PSD critica abandono do Eixo Central e das Pontes de Marchil
Em declarações à Lusa, o vereador social-democrata Gonçalo Gomes acusou António Pina de “não querer concretizar obras essenciais” e de invocar a “falta de maturidade dos projetos para justificar a sua inação”.
“Uma falácia que quer apenas dizer que faltava dar os últimos passos para concluir os projetos herdados do executivo PSD”, afirmou.
Num comunicado divulgado após a reunião, o PSD/Faro criticou “o abandono de projetos” como a requalificação do Eixo Central e as intervenções destinadas a melhorar a mobilidade nas Pontes de Marchil. O partido sustenta que a Ecovia é o único projeto do anterior empréstimo que permanece no novo financiamento e acusa o presidente de não ter concretizado obras prometidas pelo PS.
Pina diz que projetos não estavam prontos para avançar
António Pina rejeitou as críticas e classificou PSD e Chega como “dois partidos que não deixam governar quem foi eleito para tal”, considerando que pretendem impedir o executivo de concretizar o seu programa eleitoral.
“Os projetos que apresentamos hoje na reunião de câmara e para os quais estávamos a solicitar empréstimo, alguns deles até são projetos que iniciaram a sua elaboração no executivo anterior do PSD”, declarou à Lusa.
O autarca argumentou que a anterior gestão pediu o empréstimo antes de concluir os projetos e que alguns ainda não dispunham dos terrenos necessários. Acrescentou que o prazo para utilizar aquele financiamento termina em fevereiro.
Nas Pontes de Marchil, segundo o presidente da Câmara, “foi necessário refazer” o projeto devido à existência de uma conduta das Águas do Algarve “que não tinha sido considerada na intervenção inicialmente prevista”.
Aquisição de terrenos fez subir custo da Ecovia
Sobre a Ecovia entre Faro e Olhão, António Pina explicou que o projeto estava inicialmente avaliado em dois milhões de euros, mas que “foi necessário avançar com a aquisição dos terrenos, fazendo com que o custo tenha, entretanto, aumentado para quase o dobro”.
“É por isso que não se podem pedir empréstimos sem ter os projetos prontos”, sustentou.
O presidente afirmou que o executivo tem trabalhado nos projetos associados ao anterior empréstimo e que só voltará a apresentar um pedido de financiamento para essas intervenções quando estiverem concluídos.
Oposição e executivo divergem sobre prioridades
António Pina acusou ainda PSD e Chega de constituírem “uma união que nunca conseguiu ultrapassar a derrota eleitoral” e de procurarem impedir a execução do programa apresentado aos eleitores.
Gonçalo Gomes, por seu lado, considerou que a mudança das prioridades revela “falta de ambição e visão estratégica”, defendendo que Faro está a perder oportunidades de desenvolvimento e de afirmação regional.
O vereador assegurou que o PSD continuará a defender os projetos que considera estratégicos para o concelho, com “total abertura para dialogar com o executivo”.
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