A subida dos preços dos combustíveis levou condutores a protestar, esta segunda-feira, 7 de setembro, na Ponte 25 de Abril, em Lisboa. O ‘buzinão’ coletivo contestou os aumentos e os apoios do Governo, considerados insuficientes pelos participantes, numa altura em que alguns automobilistas dizem estar a limitar o uso do carro.
De acordo com o jornal espanhol La Voz de Galicia, foram registados aumentos de até 15 cêntimos por litro. “Um total de 15 cêntimos numa noite é uma loucura. São preços de países nórdicos e nós não temos os salários deles”, afirmou um dos condutores ouvidos pelo jornal espanhol.
Menos deslocações e abastecimentos do outro lado da fronteira
Numa estação de serviço nas Antas, no Porto, uma funcionária descreveu mudanças no comportamento dos clientes. “Nota-se que as pessoas tentam usar menos o carro”, contou, acrescentando que alguns terão antecipado o abastecimento para o fim de semana e que outros se deslocam a Espanha.
José María, de 50 anos, foi o único cliente a aparecer durante cerca de 15 minutos de reportagem naquele posto. “Evito usar o carro na cidade porque é demasiado caro. Mas hoje não tinha alternativa, porque tive de regressar com urgência de Lisboa”, explicou, referindo que os preços nas áreas de serviço das autoestradas são ainda superiores.
Gasóleo aproxima-se dos 2,15 euros por litro
Segundo a publicação, o preço médio de referência do gasóleo aproximou-se dos 2,15 euros por litro, o valor mais elevado registado em Portugal. A gasolina chegou aos 2,11 euros de média, após aquela que o jornal identifica como a maior subida em quatro anos.
Os valores variam, contudo, entre postos. Algumas estações chegaram aos 2,40 euros por litro na segunda-feira, enquanto certas operadoras de baixo custo conseguiram limitar os aumentos. No posto das Antas, a funcionária relatou uma subida de 10 cêntimos no gasóleo e de nove na gasolina durante a noite.
Desconto fiscal não afastou a contestação
Na sexta-feira anterior, o Governo aprovou um desconto extraordinário de três cêntimos por litro no Imposto sobre os Produtos Petrolíferos e Energéticos (ISP). Somando esta decisão às medidas em vigor desde o início da guerra na Ucrânia, em 2022, a redução fiscal totaliza 23 cêntimos por litro de gasóleo e gasolina, escreve o jornal.
Apesar desse apoio, os condutores ouvidos manifestaram dificuldades em suportar os encargos. O pai de José María, de 71 anos, afirmou que quase deixou de conduzir e recorre aos transportes públicos: “O povo português, com os seus salários, não consegue aguentar estes preços.”
O carro continua a ser necessário para trabalhar
Outra funcionária de uma estação de serviço salientou que reduzir as deslocações nem sempre é possível. “No fim de contas, muita gente não consegue evitá-lo, porque precisa de trabalhar”, declarou, defendendo uma maior contestação aos valores cobrados nos abastecimentos.
O La Voz de Galicia associa a escalada dos preços à guerra dos Estados Unidos contra o Irão e refere que os combustíveis estão, em média, mais de 20% acima dos valores do ano passado. A subida acresce, assim, aos custos que os automobilistas já suportavam antes dos aumentos desta semana.
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