Poucos pensam no que teriam para comer se uma situação de emergência impedisse durante vários dias o acesso normal aos supermercados. No Reino Unido, as autoridades têm aconselhado as famílias a manterem algumas provisões em casa para conseguirem enfrentar eventuais perturbações.
A recomendação ganhou atenção perante fenómenos meteorológicos extremos e outros cenários capazes de afetar temporariamente serviços essenciais. Mas encher a despensa ao acaso pode não ser suficiente.
Richard Kirwan e Graeme Close, especialistas em nutrição da Liverpool John Moores University, explicaram no The Conversation quais os alimentos que fazem mais sentido numa reserva deste género.
Estes alimentos podem fazer parte da reserva
Uma das prioridades são as proteínas, importantes para a manutenção da massa muscular e também para prolongar a sensação de saciedade.
Entre as opções encontram-se carnes enlatadas, como frango, carne estufada ou almôndegas, além de peixe enlatado. As sardinhas em molho de tomate são uma das alternativas destacadas pelos especialistas.
Para quem não come carne, feijão e outras leguminosas enlatadas podem desempenhar um papel semelhante. Leite UHT e leite em pó são outras opções com uma longa duração.
Os hidratos de carbono também não devem faltar. Se houver acesso a água e eletricidade, produtos secos como arroz integral, massa integral, flocos de aveia e cuscuz integral permitem criar diferentes refeições e têm a vantagem de poderem permanecer bastante tempo na despensa.
Legumes, fruta e frutos secos também contam
Os especialistas aconselham ainda a guardar diferentes legumes enlatados ou em conserva. Cenouras, feijão-verde, batatas, tomate, milho, ervilhas e lentilhas estão entre os exemplos apresentados.
Frutos secos e sementes são outra possibilidade por serem fáceis de conservar, ocuparem pouco espaço e fornecerem nutrientes e energia.
A reserva pode igualmente incluir fruta enlatada em sumo, compota, mel e bolachas. Até alguns alimentos de conforto podem ser úteis para evitar uma alimentação demasiado repetitiva caso seja necessário depender da despensa durante um período prolongado.
Os investigadores admitem ainda a possibilidade de manter um suplemento multivitamínico e mineral disponível, sobretudo porque uma alimentação baseada durante algum tempo em produtos processados e armazenados pode dificultar a obtenção de determinados nutrientes.
Não se esqueça da água
Há um elemento ainda mais importante do que a comida: água potável.
A recomendação apresentada pelos especialistas aponta para aproximadamente três a quatro litros de água por pessoa e por dia, tendo em conta que poderá ser necessária não apenas para beber, mas também para preparar alimentos e assegurar necessidades básicas.
Assim, numa reserva doméstica podem entrar carne e peixe enlatados, feijão e outras leguminosas, leite de longa duração, arroz, massa, aveia, cuscuz, legumes e fruta em conserva, frutos secos, sementes, mel e bolachas.
Mais do que acumular grandes quantidades de um único produto, a ideia passa por combinar alimentos duradouros capazes de fornecer proteínas, hidratos de carbono, fibra, vitaminas e minerais durante uma eventual interrupção do quotidiano.
No Reino Unido, o próprio Governo recomenda que os cidadãos estejam preparados para emergências e mantenham em casa alimentos que não necessitem de ser cozinhados, além de água engarrafada. A preparação destina-se a situações em que possa haver cortes de eletricidade, problemas no abastecimento de água ou dificuldades temporárias no acesso a bens essenciais.
















