Ter alguns bens essenciais reunidos em casa pode fazer diferença quando ocorre uma interrupção prolongada de eletricidade, falta de água ou outra emergência que obrigue uma família a permanecer em casa durante vários dias. É precisamente esse o objetivo da campanha oficial Prepare, promovida pelo Governo britânico, que recomenda aos cidadãos que pensem antecipadamente nos bens de que poderão precisar durante uma situação de emergência.
A orientação não está associada a um único risco concreto. O Governo britânico refere cenários que podem ir desde cortes de energia e água até fenómenos naturais, acidentes, falhas de infraestruturas ou situações em que as autoridades aconselhem a população a permanecer em casa ou a evacuar.
Água é uma das principais prioridades
Um dos elementos mais importantes do kit é a água engarrafada. A orientação oficial britânica aponta para um mínimo de 2,5 a 3 litros de água potável por pessoa e por dia. Para assegurar também necessidades básicas de cozinha e higiene, a quantidade poderá aproximar-se dos 10 litros diários por pessoa.
As necessidades podem ser superiores em casas onde existam bebés, animais de companhia ou equipamentos médicos que necessitem de água. O próprio Governo britânico admite que não existe uma quantidade única adequada a todas as emergências, já que a duração da interrupção dos serviços e as necessidades de cada agregado podem variar.
Alimentos devem poder ser consumidos sem cozinhar
Outra recomendação passa por manter alguma reserva de alimentos não perecíveis que não necessitem de ser cozinhados. Entre os exemplos estão conservas de carne, fruta ou vegetais prontas a consumir, devendo existir também um abre-latas manual quando necessário. Famílias com bebés devem ter alimentação apropriada e quem tenha animais de estimação deve igualmente considerar água e comida para estes.
A lógica é simples: numa falha prolongada de eletricidade ou gás, ter alimentos em casa não significa necessariamente conseguir prepará-los.
Lanterna, rádio e powerbank também fazem parte do kit
O Governo aconselha ainda a ter uma lanterna alimentada por pilhas ou manivela, privilegiando-a em relação às velas, além de pilhas suplentes. Um rádio a pilhas ou de manivela pode permitir acompanhar informações das autoridades quando existe um corte de eletricidade e as redes de comunicações ficam afetadas. Também é recomendada uma bateria externa, ou powerbank, para manter o telemóvel carregado.
Para quem depende de equipamentos médicos alimentados por bateria, a orientação passa igualmente por manter baterias de reserva carregadas e cópias em papel das instruções necessárias.
Medicamentos e primeiros socorros não devem ser esquecidos
O kit deve ser adaptado às necessidades específicas de cada pessoa. Quem toma medicação essencial deve garantir uma quantidade suficiente para vários dias, segundo a campanha oficial. O Governo recomenda também um estojo de primeiros socorros com material básico, como pensos, ligaduras, antisséptico, termómetro, compressas esterilizadas e luvas.
Desinfetante para as mãos e toalhitas húmidas são também sugeridos para situações em que o abastecimento de água fique temporariamente interrompido.
Só 4% tinham água suficiente para três dias segundo esta conta
Um inquérito nacional publicado pelo Governo britânico em agosto de 2026 mostra que muitos agregados ainda não estão preparados para uma interrupção prolongada. Cerca de 60% dos inquiridos disseram ter alimentos não perecíveis sem necessidade de confeção suficientes para aproximadamente três dias. Já 37% afirmaram ter água engarrafada que consideravam suficiente para esse período.
Contudo, quando o Governo calculou a quantidade efetivamente disponível usando como referência três litros por pessoa e por dia, apenas 4% dos participantes tinham água suficiente para três ou mais dias. Cerca de 82% tinham menos de um dia de água segundo esse critério. O mesmo estudo mostra que 63% tinham material de primeiros socorros e, entre as pessoas dependentes de medicação essencial para doenças crónicas, 76% dispunham de medicamentos suficientes para pelo menos sete dias.
Governo não recomenda comprar tudo de uma vez
A orientação britânica deixa também claro que não é necessário montar todo o kit num único momento. As famílias podem ir acrescentando artigos gradualmente, consoante as possibilidades, mantendo depois os bens reunidos num local facilmente acessível mesmo quando não existe iluminação. Para uma eventual evacuação, alguns artigos podem ser colocados antecipadamente numa mochila.
Há ainda uma ressalva importante: numa fuga devido a um incêndio em casa, a prioridade é sair imediatamente e não perder tempo a procurar ou transportar o kit.
Em Portugal, Proteção Civil também aconselha um kit de emergência
A recomendação não é exclusiva do Reino Unido. Em Portugal, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) também aconselha a preparação antecipada de um kit de emergência para ser utilizado nas primeiras horas ou dias após um acidente grave ou catástrofe, quando o socorro ou o fornecimento de serviços essenciais possam estar condicionados.
Entre os artigos indicados pela Proteção Civil portuguesa estão água e comida não perecível, medicação habitual, estojo de primeiros socorros, produtos de higiene, muda de roupa, rádio, lanterna, apito, powerbank, contactos importantes, cópias de documentos e dinheiro. O kit deve estar acessível e ser revisto regularmente.
Assim, apesar de a nova campanha em destaque ser britânica, a lógica é semelhante à já recomendada pelas autoridades portuguesas: preparar alguns bens essenciais antes de uma emergência permite ter maior autonomia quando os serviços habituais deixam temporariamente de funcionar.
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