A cena repete-se todos os dias em milhares de casas: enquanto algumas pessoas evitam qualquer café ao final da tarde para não passarem a noite às voltas na cama, outras conseguem beber uma chávena depois do jantar e adormecer pouco tempo depois. A resposta para esta diferença poderá estar, pelo menos em parte, na forma como cada organismo processa a cafeína.
Para além disso, a cafeína é a substância psicoativa mais consumida no mundo e está presente não apenas no café, mas também em refrigerantes, bebidas energéticas, chocolate, suplementos e até algumas pastilhas elásticas. De acordo com a BBC, a forma como cada pessoa reage à cafeína depende de vários fatores, sendo um dos mais importantes a velocidade a que esta substância é eliminada pelo organismo.
Depois de ser ingerida, a cafeína é rapidamente absorvida pela corrente sanguínea e chega ao cérebro, onde contribui para aumentar o estado de alerta e reduzir a sensação de fadiga. No entanto, este processo não termina quando desaparece a perceção imediata dos seus efeitos.
A cafeína pode permanecer muitas horas no organismo
Os especialistas explicam que a substância continua a circular no corpo durante bastante tempo após o consumo. Em algumas pessoas, a sua eliminação pode ser relativamente rápida. Noutras, pode prolongar-se durante várias horas.
Marilyn Cornelis, professora associada de Nutrição da Universidade Northwestern, em Chicago, refere que a cafeína pode permanecer no organismo entre seis e 20 horas. Isso significa que uma chávena de café consumida durante a tarde pode continuar a ter impacto no corpo já durante a noite.
Além da quantidade ingerida, o organismo de cada pessoa desempenha um papel determinante. É precisamente aqui que entra a genética.
O papel de um gene específico
A capacidade do fígado para metabolizar a cafeína está associada a um gene conhecido como CYP1A2. A atividade deste gene influencia a rapidez com que a substância é processada e eliminada.
Quem apresenta uma metabolização mais rápida tende, em teoria, a sentir menos efeitos durante um período prolongado. Já as pessoas que processam a cafeína mais lentamente podem manter níveis mais elevados da substância no organismo durante mais tempo, aumentando a probabilidade de perturbações do sono.
Os investigadores sublinham, contudo, que a genética não explica tudo. Existem outros fatores capazes de alterar o ritmo a que a cafeína é eliminada.
Tabaco e medicamentos também fazem diferença
O tabagismo surge entre os elementos que podem acelerar o metabolismo da cafeína. Alguns estudos indicam que fumar estimula determinados mecanismos do fígado, permitindo que a substância seja processada mais rapidamente.
Pelo contrário, certos medicamentos podem produzir o efeito inverso. Alguns antibióticos, contracetivos orais e outros fármacos sujeitos a receita médica podem prolongar a permanência da cafeína no organismo, fazendo com que os seus efeitos durem mais tempo.
Por esse motivo, duas pessoas que bebem exatamente a mesma quantidade de café podem ter reações muito diferentes. Enquanto uma pode continuar desperta e mais ansiosa, outra poderá não notar qualquer alteração significativa.
Quando deve ser evitada a cafeína?
Os especialistas do sono recomendam, de forma geral, evitar o consumo de cafeína nas horas que antecedem o descanso noturno. Muitos defendem que o intervalo mínimo deve rondar as seis horas antes da hora habitual de deitar.
Lindsay Browning, psicóloga especializada em sono, recomenda que quem costuma adormecer por volta das 22h evite consumir bebidas com cafeína após as 14h. Ainda assim, alerta que não existe uma regra universal capaz de se aplicar a todas as pessoas da mesma forma.
A verdade é que a resposta do organismo varia significativamente de indivíduo para indivíduo. Segundo a mesma fonte, é precisamente esta combinação de fatores genéticos, hábitos de vida e características biológicas que ajuda a explicar porque algumas pessoas conseguem beber café à noite e dormir sem qualquer dificuldade, enquanto outras sentem os efeitos da cafeína durante muitas horas depois da última chávena.
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