Nas próximas eleições legislativas, a pergunta decisiva poderá não ser apenas quem ganha, mas quem consegue reunir condições para governar.
São perguntas diferentes.
E dessa diferença podem nascer soluções que, à primeira vista, parecem improváveis.
Vejo quatro caminhos possíveis para a chefia do próximo Governo:
> Secretário-geral do PS
> Presidente do PSD
> Pedro Passos Coelho
> Mário Centeno.
Não são candidaturas anunciadas nem uma lista fechada.
São quatro hipóteses de uma leitura política em que a composição do Parlamento será tão importante como a classificação dos partidos numa possível noite eleitoral.
1. O secretário-geral do PS: uma vitória com apoio à esquerda.
O primeiro cenário é o mais direto:
O PS vence e o seu secretário-geral reúne condições para ser primeiro-ministro.
Com maioria absoluta, o caminho seria claro.
Sem ela, um Governo minoritário socialista poderia encontrar sustentação numa Assembleia da República onde os partidos à esquerda somassem uma maioria e estivessem disponíveis para um entendimento.
A condição decisiva seria essa disponibilidade.
Uma maioria aritmética de esquerda não constitui, por si só, uma maioria política.
Seria necessário acordar prioridades, viabilizar orçamentos e garantir estabilidade.
2. O presidente do PSD: uma maioria própria ou construída.
O segundo caminho passa pelo presidente do PSD, através de uma maioria absoluta da sua candidatura ou de uma solução apoiada pelo CDS e pela Iniciativa Liberal.
Importa distinguir um Governo minoritário de um Governo sem apoio maioritário.
O PSD poderia liderar um executivo sem integrar todos os partidos que lhe garantissem sustentação parlamentar. Em alternativa, poderia negociar uma coligação governamental.
Neste cenário, a questão seria perceber se esse espaço político conseguiria reunir deputados suficientes e transformar a proximidade ideológica num programa comum.
3. Pedro Passos Coelho: uma hipótese de convergência à direita
O quadro torna-se mais complexo se o Chega for a primeira força política, mas ficar longe da maioria absoluta.
Se existir uma maioria relativa parlamentar à direita, coloco a hipótese de Pedro Passos Coelho surgir como figura de convergência para uma coligação ou um acordo de governação.
Seria, porém, uma negociação particularmente exigente.
Pressuporia a sua disponibilidade, a aceitação pelos partidos envolvidos e, caso os deputados do Chega fossem indispensáveis, um entendimento com esse partido.
Por que razão aceitaria o partido mais votado um primeiro-ministro de outra origem política?
Essa seria a principal dificuldade do cenário.
Passos Coelho é aqui uma hipótese de compromisso, não uma solução que se possa dar por adquirida.
4. Mário Centeno: uma hipótese de compromisso ao centro
Perante a mesma vitória relativa do Chega, poderia surgir uma solução diferente: uma maioria de centro e centro-esquerda disponível para apoiar Mário Centeno.
Na minha leitura, o seu perfil económico poderia torná-lo um nome de compromisso entre forças que não conseguissem entender-se em torno dos respetivos líderes.
Mas a palavra «centro» precisa de tradução parlamentar. Se esse entendimento dependesse de deputados do PSD, estaríamos perante um acordo mais amplo do que uma simples coligação de centro-esquerda.
Também aqui seriam indispensáveis disponibilidade pessoal, compromissos partidários e um programa de governo.
Um nome, por mais reconhecido que seja, não substitui uma maioria.
Ganhar e conseguir governar
Em Portugal, o primeiro-ministro é nomeado pelo Presidente da República, depois de ouvidos os partidos com representação parlamentar e tendo em conta os resultados eleitorais.
A Constituição não estabelece uma nomeação automática do líder do partido mais votado.
Isso também significa que uma vitória do Chega sem maioria absoluta não excluiria um Governo liderado pelo próprio partido, caso conseguisse condições parlamentares para governar.
Os quatro caminhos apresentados não esgotam, portanto, as possibilidades.
A minha tese é esta: as próximas legislativas poderão decidir-se tanto nos votos conquistados como nos entendimentos que esses votos permitirem construir.
Para o país.
Já agora para o Algarve.
O teste final será a capacidade de transformar esses entendimentos em respostas para a habitação, a saúde, a água e os rendimentos.
A noite eleitoral dirá quem ficou em primeiro. A formação do Governo mostrará quem consegue construir uma solução.
Qual considero mais Quatro caminhos para São Bento numas possíveis próximas legislativas?
Os últimos dois.
Os cenários de Mário Centeno e Passos Coelho como Primeiros-Ministros estão mais próximos que os actuais possíveis líderes dos Partidos.
Com um cenário dedéfice a tender para o descontrolável, então ainda mais.
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