Aeroporto de Lisboa, zona internacional das partidas.
Compro uma Sumol em lata e, na fatura, sou cobrado €0,10 de depósito SDR.
Até aqui, tudo certo.
O princípio do sistema VOLTA é positivo: incentivar a reciclagem, reduzir desperdício e dar valor às embalagens.
O problema é simples: onde é que eu devolvo a lata no aeroporto para recuperar os meus 10 cêntimos?
ONDE??????
Se estou numa zona internacional, depois do controlo de segurança, e não existe uma máquina de retoma acessível, então o sistema fica incompleto:
- Cobram o depósito ✅
- O consumidor paga ✅
- Mas nem sempre consegue recuperar o dinheiro ❌
São apenas 10 cêntimos, mas multiplique-se isto pelos milhares de passageiros que passam diariamente pelos aeroportos portugueses.
Vamos lá melhorar o Volta.
Algumas sugestões para melhorar o sistema:
Menos máquinas concentradas nos grandes centros comerciais e mais pontos VOLTA espalhados pelas cidades, permitindo inclusive que o valor seja convertido em vouchers para gastar no comércio local.
Um ponto de recolha por município, com atendimento humano, onde possam ser entregues garrafas e latas danificadas que as máquinas não aceitam.
Nos restaurantes, não cobrar o depósito quando a embalagem fica no estabelecimento e é o próprio restaurante que assegura a sua devolução.
Criar uma estrutura verdadeiramente participada pelos portugueses: uma entidade VOLTA com forte participação pública e possibilidade de os cidadãos portugueses adquirirem participação, podendo também ter voz na melhoria do sistema.
Incentivar e, onde fizer sentido, exigir aos restaurantes o regresso às embalagens de vidro reutilizáveis, reduzindo drasticamente o consumo de latas e plástico descartável.
Mas há também um lado muito positivo que não deve ser ignorado.
Um sistema destes pode criar uma pequena economia de recolha que ajuda muitas pessoas com rendimentos mais baixos. Para quem tem pouco, recolher dezenas ou centenas de embalagens pode representar dinheiro para uma refeição, transportes ou outras necessidades básicas.
Por isso, não sou contra o VOLTA.
Pelo contrário.
Quero que funcione melhor, esteja em todo o lado e seja também uma ferramenta ambiental, económica e social.
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