O futuro Campus do Barlavento, em Portimão, integra um investimento mais amplo destinado a reforçar e modernizar as infraestruturas da Universidade do Algarve (UAlg) em Portimão e Faro. Segundo a CCDR Algarve, o Programa Regional Algarve 2030 mobiliza mais de 10 milhões de euros de fundos europeus para uma operação cujo investimento global ultrapassa os 17 milhões de euros.
O ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, visitou, na segunda-feira, 22 de setembro, o local previsto para a instalação do futuro campus, acompanhado pelo presidente da CCDR Algarve, José Apolinário, pela reitora da UAlg, Alexandra Teodósio, pelo presidente da Câmara Municipal de Portimão, Álvaro Bila, e por outros responsáveis autárquicos, académicos e da CCDR.

A visita incluiu a apresentação da iniciativa “UAlg Horizonte 2030: Reforçar o Impacto do Ensino Superior na Região do Algarve”, desenvolvida no âmbito de um protocolo de cooperação para a resiliência regional e desenvolvimento, bem como a assinatura de um acordo específico entre a Universidade do Algarve e o Município de Portimão.
Para José Apolinário, “este é um investimento no capital humano, na qualificação das pessoas. Estamos a falar de oportunidades para os jovens e de capacidade de desenvolvimento para toda uma região”.
CCDR aponta diferença entre Algarve e média nacional no ensino superior
A CCDR Algarve enquadra o investimento na necessidade de aumentar os níveis de qualificação superior na região. De acordo com os dados apresentados no comunicado, a taxa de escolarização no ensino superior no Algarve passou de 18,9% para 25,4% nos últimos 20 anos, enquanto a média nacional evoluiu de 27,5% para 42,8%.
Segundo a comissão de coordenação, esta diferença repercute-se nas oportunidades dos jovens, na produtividade, na inovação, nos salários e na capacidade regional de responder às mudanças económicas e sociais.
A CCDR refere ainda que, no ano letivo de 2021/2022, 48,7% dos alunos matriculados no 12.º ano estudavam nos municípios situados entre Albufeira e Lagos, enquanto os residentes nesses concelhos representavam 28,2% dos estudantes colocados na Universidade do Algarve na primeira fase.
José Apolinário considera, por isso, que “não podemos pedir aos jovens do Barlavento que tenham as mesmas oportunidades de acesso ao ensino superior se não lhes proporcionarmos também condições de proximidade”.
O futuro Campus do Barlavento deverá permitir à Universidade do Algarve aumentar a capacidade de formação nesta zona da região e diversificar a oferta existente, nomeadamente através dos Cursos Técnicos Superiores Profissionais (CTeSP).
A expansão deverá abranger novas áreas de formação, nomeadamente STEAM – Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática – procurando aproximar as qualificações das necessidades de uma economia que a CCDR caracteriza como cada vez mais digital, tecnológica e verde.
“Queremos mais jovens no ensino superior. Mas queremos também que aquilo que aprendem responda às necessidades de uma economia que está a mudar: mais digital, mais tecnológica, mais verde, mais exigente em conhecimento e em competências”, afirmou o presidente da CCDR Algarve.
Campus pretende servir vários concelhos do Barlavento
De acordo com a CCDR, o futuro campus não se destina apenas aos estudantes de Portimão, procurando aproximar a oferta de ensino superior das populações e empresas de Lagos, Lagoa, Aljezur, Vila do Bispo e Monchique.
O investimento apoiado pelo Algarve 2030 contempla, além da construção do Campus do Barlavento, um novo Edifício Digital no Campus de Gambelas e a modernização de espaços e equipamentos no Campus da Penha, em Faro.
José Apolinário salientou que “crescer não significa apenas ter mais salas. Significa ter mais cursos, mais estudantes, mais ligação às empresas, mais estágios, mais formação ao longo da vida e mais capacidade para responder às necessidades do território”.
“Porque qualificar o Algarve é preparar o Algarve para o futuro”, acrescentou o presidente da CCDR Algarve.
Segundo a CCDR, o financiamento europeu pretende permitir à Universidade do Algarve reforçar a sua presença no território, ampliar as oportunidades de formação e aumentar a capacidade de resposta às necessidades futuras da região.
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