Num relato publicado esta terça-feira no Facebook, Janete Serrano afirma ter ouvido, durante uma sessão da Assembleia da Fuzeta realizada esta segunda-feira, uma intervenção contra a presença de habitantes de Moncarapacho e um apelo a “pedrada” contra aquela população, atribuindo ambos os episódios a pessoas do público.
A autora, membro do executivo de Moncarapacho e primeira vogal do Chega, manifesta indignação com os comportamentos que descreve na publicação nas redes sociais.
Presença de moradores de outra freguesia contestada
Janete Serrano explica que decidiu assistir presencialmente à Assembleia da Fuzeta porque, segundo escreve, as sessões de Moncarapacho são transmitidas online, ao contrário das da Fuzeta. Acrescenta que ambas as freguesias tinham assembleias no mesmo dia e que um dos pontos da ordem de trabalhos da Fuzeta lhe despertara particular interesse.
De acordo com o seu relato, um membro do público dirigiu-se ao presidente da mesa e à presidente da Junta para defender que, após a divisão das freguesias, as pessoas de Moncarapacho não deveriam estar presentes naquela assembleia.
Serrano contesta essa posição, defendendo que o acesso a uma sessão pública não deve depender da freguesia de origem ou residência.
“Uma assembleia pública não é propriedade de um grupo de pessoas”, escreve, acrescentando que defender Moncarapacho não a impede de respeitar a Fuzeta, os seus habitantes e as suas instituições.
Autora atribui expressão sobre “pedrada” a uma participante
O segundo episódio descrito envolve uma mulher presente no público que, segundo Janete Serrano, terá dito em voz alta: “Pedrada com os moncarapachenses! Pedrada com eles todos!”
A autora considera que estas palavras ultrapassam a discordância política e exprimem hostilidade contra uma comunidade inteira. Distingue a crítica a um mandato, a uma decisão ou a um responsável autárquico de expressões que evocam violência contra os habitantes de uma freguesia.
“O comportamento de uma pessoa não define uma população inteira”, sustenta.
Serrano ressalva, porém, que as suas críticas se dirigem apenas a algumas pessoas da assistência. Não atribui os comportamentos descritos ao conjunto dos participantes nem à população da Fuzeta.
Janete Serrano afirma que continuará a participar na vida pública
Na publicação, Janete Serrano garante que permaneceu no seu lugar e que não se envolveu em discussões, não gritou, não insultou nem perturbou os trabalhos.
A autora afirma que continuará a participar enquanto cidadã e eleita local, rejeitando que a sua ligação a Moncarapacho seja motivo para contestar a sua presença noutra freguesia.
“Não me vão intimidar por ser de Moncarapacho”, escreve, defendendo que as diferenças políticas devem ser discutidas com respeito e sem hostilizar as pessoas pela sua origem.
“Moncarapacho merece respeito. A Fuzeta merece respeito. E todas as pessoas merecem ser tratadas com dignidade”, conclui.
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