Uma mensagem a anunciar um reembolso do IRS de milhares de euros chama a atenção de quem espera receber dinheiro das Finanças. Se vier acompanhada de um prazo curto e de um pedido de autenticação, o destinatário pode sentir que tem de resolver tudo rapidamente. Antes de avançar, porém, há que confirmar de onde veio a comunicação para evitar cair numa burla.
A Polícia Judiciária (PJ) está a alertar para mensagens fraudulentas que usam o nome da Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) para tentar obter dados dos contribuintes. Segundo a Rádio Renascença, que divulgou o aviso, os burlões apresentam um alegado “reembolso de 2025 aprovado” e convidam o destinatário a concluir um procedimento de verificação.
A promessa de receber dinheiro serve para encaminhar a vítima para uma página controlada pelos criminosos.
Reembolso do IRS usado como isco para a burla
Nos exemplos divulgados, os montantes anunciados variam entre 3.936 e 7.989 euros. A mensagem informa que a transferência será feita no prazo de três dias úteis, mas condiciona esse pagamento à conclusão de uma autenticação.
O valor elevado e a promessa de uma transferência rápida são usados para despertar o interesse do contribuinte, enquanto o pedido de verificação apresenta a entrega dos dados como uma etapa necessária para receber a quantia.
A pressão aumenta com a indicação de que existem apenas sete dias para concluir o processo. De acordo com o alerta da PJ, surgem pedidos para confirmar os dados do reembolso e referências a um “último aviso”, acompanhadas da ameaça de suspensão temporária do acesso.
Trata-se de uma forma de apressar a resposta: a mensagem procura convencer o destinatário de que adiar a verificação pode impedir o recebimento do dinheiro.
Autenticação leva a uma página falsa
Para dar seguimento ao suposto pedido, o contribuinte encontra um botão com a indicação “iniciar autenticação”. Ao carregar, é encaminhado para uma página que não pertence ao serviço que os burlões dizem representar.
A PJ chama ainda a atenção para a utilização da expressão “Bem-vindo ao serviço de autenticação da AT”, escolhida para reforçar a aparência oficial da comunicação e levar o destinatário a acreditar que está num ambiente seguro.

Judiciária recomenda não seguir as instruções
Perante uma comunicação deste género, a recomendação da PJ é não carregar nas ligações, não fornecer dados pessoais ou bancários e não cumprir os passos indicados. A existência de um botão de autenticação ou de expressões habituais nos serviços públicos não comprova a origem do contacto.
A confirmação deve ser feita fora da mensagem recebida, através dos canais oficiais, sem utilizar o percurso de acesso sugerido pelos alegados serviços fiscais.
AT também alerta para SMS e chamadas falsas
O uso abusivo do nome das Finanças também motivou um alerta da própria AT, datado de 20 de agosto. Nesse aviso, publicado no Portal das Finanças, a entidade identifica mensagens de correio eletrónico e SMS que encaminham os destinatários para páginas maliciosas.
Refere ainda chamadas telefónicas em que é pedido ao contribuinte que carregue numa tecla para corrigir uma suposta divergência na declaração do IRS. A orientação é ignorar esses contactos fraudulentos.
Onde confirmar a informação recebida
Quem tiver dúvidas sobre um reembolso do IRS deve aceder diretamente ao Portal das Finanças e confirmar a informação pelos meios disponibilizados pela AT. Para esclarecer questões, existe o e-balcão, que permite contactar os serviços através da área oficial de atendimento.
Esta confirmação evita que uma mensagem recebida por correio eletrónico ou telemóvel se transforme, por si só, na base para entregar informações pessoais a terceiros cuja identidade não foi verificada.
A Autoridade Tributária disponibiliza também o Centro de Atendimento Telefónico, através do número 217 206 707, e atendimento presencial por marcação. Estes contactos constam da sua página oficial de apoio ao contribuinte.
São alternativas para esclarecer a situação junto dos serviços, incluindo quando o destinatário não consegue perceber se o aviso recebido corresponde a uma comunicação verdadeira ou quando precisa de ajuda para consultar a informação fiscal.
Denunciar e ajudar outros contribuintes a reconhecer a burla
A PJ recomenda ainda que as situações suspeitas sejam denunciadas e que os alertas sejam partilhados, para ajudar outros contribuintes a reconhecer o esquema de burla. Neste caso, os elementos a identificar são a promessa de milhares de euros, a exigência de autenticação e a pressão de um prazo curto.
Uma mensagem que apresenta um reembolso do IRS como aprovado deve ser confirmada nos canais oficiais antes de qualquer entrega de dados.
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