Milhões de pensionistas portugueses poderão receber um aumento das reformas acima da inflação em janeiro de 2027. A evolução recente da economia nacional tornou mais provável a aplicação de uma regra que permite acrescentar uma valorização extra às pensões mais baixas, protegendo o poder de compra dos reformados.
Segundo o Público, cerca de 90% das pensões pagas em Portugal poderão beneficiar de um aumento superior à inflação em 2027, devido ao crescimento da economia portuguesa nos últimos dois anos.
Pensões até 1.074 euros deverão ter um aumento maior
A atualização anual das pensões segue uma fórmula definida pela Lei n.º 53-B/2006, que considera dois indicadores: a inflação e o crescimento médio da economia nos últimos dois anos.
Quando o crescimento médio real do Produto Interno Bruto (PIB) se situa entre 2% e 3%, as pensões até dois Indexantes dos Apoios Sociais (IAS) beneficiam de um aumento superior à inflação. Em 2026, dois IAS correspondem a 1.074,26 euros, valor que serve de referência para identificar as reformas abrangidas por este escalão.
Os dados económicos mais recentes indicam que Portugal deverá ultrapassar o crescimento médio de 2%, tornando cada vez mais provável a aplicação desta atualização mais favorável.
Quanto podem aumentar as reformas em 2027?
Embora os valores definitivos ainda não sejam conhecidos, as projeções apontam para um aumento próximo dos 3,3% nas pensões mais baixas.
Este cenário considera uma inflação média sem habitação próxima dos 2,9% em novembro, acrescida da componente associada ao crescimento económico.
Caso se confirme uma subida de 3,3%, os aumentos mensais seriam aproximadamente os seguintes:
| Pensão atual | Aumento mensal | Nova pensão |
|---|---|---|
| 400 € | 13,20 € | 413,20 € |
| 500 € | 16,50 € | 516,50 € |
| 600 € | 19,80 € | 619,80 € |
| 700 € | 23,10 € | 723,10 € |
| 800 € | 26,40 € | 826,40 € |
| 1.000 € | 33,00 € | 1.033,00 € |
Estes valores são meramente indicativos, uma vez que a percentagem final dependerá da evolução da inflação e dos dados económicos que ainda falta conhecer.
Reformas mais altas também deverão aumentar
A legislação prevê diferentes percentagens de atualização consoante o valor da pensão. Se o crescimento económico se mantiver entre 2% e 3%, as reformas entre 1.074,26 e 3.222,78 euros deverão aumentar de acordo com a inflação de referência.
Já as pensões entre 3.222,78 e 6.445,56 euros terão uma atualização correspondente à inflação, reduzida em 0,25 pontos percentuais.
Por sua vez, as pensões superiores a 6.445,56 euros não beneficiam, em regra, da atualização automática prevista neste regime.
Os limites apresentados correspondem aos escalões calculados com o IAS de 2026 e poderão ser atualizados para 2027.
Crescimento da economia será decisivo
O desempenho da economia portuguesa no segundo trimestre de 2026 reforçou a possibilidade de aumentos mais elevados. Nesse período, o PIB cresceu 0,8% face ao trimestre anterior e 2,5% em termos homólogos, tornando menos provável que o crescimento médio dos últimos dois anos fique abaixo dos 2%.
Mesmo que a economia estagne no terceiro trimestre, as projeções apontam para uma média próxima dos 2,1%, suficiente para ativar a atualização mais favorável das pensões mais baixas.
Quando serão conhecidos os valores definitivos?
O Instituto Nacional de Estatística (INE) deverá divulgar os dados do PIB relativos ao terceiro trimestre em 30 de outubro, permitindo confirmar se o crescimento económico garante a aplicação desta regra.
Posteriormente, será necessário conhecer a inflação média sem habitação referente a novembro, indicador utilizado no cálculo da atualização anual.
Assim, embora os aumentos das pensões em 2027 ainda não estejam oficialmente definidos, os dados disponíveis apontam para uma subida superior à inflação para a grande maioria dos pensionistas portugueses. As novas atualizações deverão produzir efeitos a partir de 1 de janeiro de 2027, refletindo-se nas pensões pagas nesse mês.
















