Estrasburgo foi palco de um apelo do eurodeputado Hélder Sousa Silva a medidas mais eficazes para proteger e capacitar as crianças no mundo digital, defendendo maior responsabilidade das plataformas, mais apoio às famílias e melhor preparação dos professores.
“Queremos uma geração que domine a tecnologia, e não uma geração dominada por ela”, afirmou o eurodeputado português no plenário do Parlamento Europeu.
Hélder Sousa Silva considera que proteger as crianças no ambiente digital “começa por preservar o seu direito a crescer, aprender e descobrir o mundo para além de um ecrã”, sem que isso implique afastar os mais novos da tecnologia.
O eurodeputado defendeu que as crianças devem poder beneficiar das oportunidades proporcionadas pelo digital, mas “sem que as suas vulnerabilidades sejam exploradas por funcionalidades e algoritmos que não tenham a sua segurança em primeiro lugar”.
Mais responsabilidade para as plataformas
Para o eleito pelo PSD, o debate europeu deve procurar um equilíbrio entre a utilização da tecnologia e a proteção dos menores, através de maior responsabilidade das plataformas, melhores instrumentos para as famílias e ambientes digitais adequados à idade e seguros desde a sua conceção.
Um estudo encomendado pela Comissão Europeia para a estratégia digital indica que 69% das crianças e jovens entre os 9 e os 22 anos utilizam redes sociais ou jogam online durante mais de três horas por dia nos dias úteis.
Dados mais recentes da Comissão apontam ainda para que os jovens na União Europeia passem, em média, 4,5 horas por dia online em dias de escola e mais de seis horas ao fim de semana. Do total, 44% afirmam não sentir controlo sobre a utilização de redes sociais e serviços digitais.
Cyberbullying entre as preocupações
O cyberbullying foi outra das questões destacadas. De acordo com os dados referidos no comunicado, os Centros para uma Internet mais Segura apoiados pela União Europeia registaram um aumento de 34% dos casos de cyberbullying entre os mais novos, entre 2022 e 2023.
Hélder Sousa Silva defendeu, por isso, que a proteção deve ser acompanhada pela capacitação das crianças e jovens, através do reforço da literacia digital, da preparação dos professores e de ferramentas que permitam às famílias acompanhar melhor a utilização da tecnologia.
O objetivo, sustentou, passa por conjugar segurança, competências digitais e participação das próprias crianças, em vez de limitar a resposta à restrição do acesso.
“Queremos uma geração que domine a tecnologia, e não uma geração dominada por ela”, concluiu.
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