O longo comunicado de Cristiano Ronaldo sobre a rutura com Jorge Jesus trouxe dois nomes até então pouco conhecidos do grande público para o centro da polémica: Simão Coutinho e Tiago Craveiro. O capitão português apresentou-os como pessoas que estiveram envolvidas nas conversas que antecederam a sua saída do estágio da Seleção Nacional.
Nenhum dos dois desempenha atualmente funções na equipa das quinas. Simão Coutinho é diretor desportivo do Al Nassr, enquanto Tiago Craveiro está ligado ao universo empresarial de Cristiano Ronaldo. Os dois participaram, em momentos diferentes, nas reuniões que o avançado utilizou para sustentar a sua versão dos acontecimentos.
Simão Coutinho esteve nas conversas entre Ronaldo e Jorge Jesus
Simão Coutinho, de 38 anos, é atualmente diretor desportivo do Al Nassr, clube onde Cristiano Ronaldo joga e onde Jorge Jesus trabalhou antes de assumir a Seleção Nacional. Natural de Viana do Castelo, começou por tentar uma carreira dentro das quatro linhas. Passou pela formação do Vianense e do Sporting e, como sénior, representou clubes como Gil Vicente, Vianense, Lousada e Boavista.
Depois de terminar a carreira de jogador, em 2013, mudou-se para os bastidores do futebol. Trabalhou durante vários anos na ProEleven, ligada à representação de jogadores, antes de rumar à Arábia Saudita e integrar a estrutura do Al Nassr.
Ronaldo apresenta-o como testemunha de acordos com Jesus
No comunicado divulgado esta semana, Cristiano Ronaldo explicou que Simão Coutinho esteve presente numa das primeiras conversas com Jorge Jesus, na qual foi discutido o plano de utilização do capitão ao longo dos jogos da Seleção. Ronaldo voltou depois a mencionar o dirigente numa reunião realizada após o encontro com a Noruega. Segundo a versão do avançado, participaram nessa conversa Ronaldo, Jorge Jesus e Simão Coutinho.
Foi aí que, de acordo com CR7, teria ficado combinado aquilo que o selecionador deveria esclarecer posteriormente em conferência de imprensa. Simão Coutinho assume, por isso, particular importância na versão apresentada pelo capitão: Ronaldo aponta-o como alguém que esteve presencialmente em algumas das conversas em que terão sido feitos os acordos que acusa Jorge Jesus de não cumprir.
E quem é Tiago Craveiro?
Tiago Craveiro tem uma ligação antiga ao futebol português e, ao contrário de Simão Coutinho, conhece profundamente a estrutura federativa. Começou profissionalmente no jornalismo, passou pela área política ligada ao desporto e, em 2006, tornou-se secretário-geral da Liga Portuguesa de Futebol Profissional.
Em 2012, entrou na Federação Portuguesa de Futebol como diretor-geral. O percurso de Craveiro na instituição está documentado pela própria UEFA, que o identificava como diretor-geral/CEO da FPF e destacava a experiência acumulada anteriormente na Liga e na área governativa do desporto.
Craveiro esteve ligado a projetos importantes da modernização da Federação, incluindo a Cidade do Futebol e o desenvolvimento do Canal 11. Acabou por abandonar a estrutura federativa em 2022.
Passou da FPF para o universo empresarial de Ronaldo
No final de 2023, Tiago Craveiro aproximou-se profissionalmente de Cristiano Ronaldo e passou a desempenhar funções de consultoria estratégica na CR7, SA. Está, assim, envolvido em várias áreas do universo empresarial do futebolista e tornou-se uma das pessoas da sua confiança fora dos relvados.
Ao contrário de Simão Coutinho, Craveiro não esteve presente nas primeiras conversas presenciais entre Ronaldo e Jorge Jesus relatadas pelo capitão. A sua participação surgiu posteriormente, através de uma videoconferência.
Documento com oito pontos colocou ambos no centro da polémica
Depois da reunião entre Ronaldo, Jorge Jesus e Simão Coutinho, terá ocorrido uma videoconferência destinada a resumir aquilo que tinha ficado acordado. Segundo Cristiano Ronaldo, participaram nessa reunião Jorge Jesus, Simão Coutinho e Tiago Craveiro. Deste contacto nasceu o documento com oito pontos que Ronaldo diz ter validado e que foi posteriormente entregue ao selecionador.
Entre esses pontos estava a frase que tem provocado maior discussão: Jorge Jesus deveria reconhecer que tinha sido um erro colocar Ronaldo a aquecer sem depois o utilizar e compará-lo, pela sua dimensão, a Pelé e Maradona. Cristiano Ronaldo afirma que o conteúdo deveria servir de base à conferência de imprensa de Jorge Jesus e acusa o selecionador de não ter cumprido aquilo que tinha ficado combinado.
Não são elementos da Seleção Nacional
Apesar de terem sido envolvidos diretamente no relato de Cristiano Ronaldo, Simão Coutinho e Tiago Craveiro não pertencem à atual estrutura da Seleção Nacional. O primeiro ocupa um cargo dirigente no clube de Ronaldo. O segundo trabalha no universo empresarial do avançado e teve, no passado, responsabilidades de topo dentro da FPF.
A importância dos dois nesta polémica resulta sobretudo de uma questão: Cristiano Ronaldo apresentou-os como pessoas capazes de confirmar partes relevantes das conversas que diz ter mantido com Jorge Jesus. É precisamente por isso que os nomes de Simão Coutinho e Tiago Craveiro passaram dos bastidores para o centro de uma das maiores polémicas recentes da Seleção Nacional.
















