A polémica entre Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus continua a dar que falar fora de Portugal. Desta vez, foi um dos mais conhecidos jornais britânicos a dedicar uma análise à situação, defendendo que o selecionador português fez bem em colocar os interesses da equipa acima do estatuto do capitão.
Num artigo de opinião publicado no jornal britânico The Guardian, o jornalista desportivo Jonathan Wilson deixa críticas contundentes a Cristiano Ronaldo, considerando que a sua influência na Seleção Nacional se tornou prejudicial para a evolução da equipa nos últimos anos.
Britânicos consideram que Ronaldo já estava a prejudicar Portugal
Na análise, publicada esta segunda-feira, 5 de outubro, Jonathan Wilson defende que Cristiano Ronaldo deveria ter perdido há mais tempo o estatuto de titular praticamente indiscutível da Seleção.
O jornalista reconhece a dimensão histórica do avançado português, mas considera que, nos últimos quatro anos, a insistência na sua utilização acabou por limitar o potencial de uma geração de jogadores talentosos.
Na opinião do comentador britânico, o desejo de Ronaldo de continuar a bater recordes individuais terá condicionado algumas decisões desportivas, particularmente nas últimas grandes competições internacionais.
Trata-se, contudo, de uma interpretação pessoal do jornalista e não de uma conclusão factual sobre o rendimento do jogador.
“Esta rutura já devia ter acontecido há muito”
É na parte final da análise que Jonathan Wilson apresenta uma das críticas mais duras ao capitão português, defendendo que a separação entre Ronaldo e a Seleção Nacional deveria ter acontecido há vários anos.
“Esta rutura já devia ter acontecido há muito”, escreve o jornalista, numa tradução da sua análise, acrescentando que Portugal viu o potencial de uma equipa extremamente talentosa ser condicionado durante três grandes competições.
Wilson considera particularmente triste que um jogador com a dimensão histórica de Ronaldo possa terminar a carreira internacional desta forma. No entanto, entende que a insistência do avançado em continuar a bater recordes individuais acabou por se sobrepor às necessidades coletivas da Seleção.
Jorge Jesus recebe elogios pela postura firme
O artigo destaca também a personalidade de Jorge Jesus, considerando que o treinador português demonstrou autoridade ao recusar alterar as suas decisões para satisfazer Cristiano Ronaldo. Wilson recorda que o selecionador, que já tinha trabalhado com o avançado no Al Nassr, nunca foi conhecido por uma postura particularmente diplomática na gestão dos jogadores.
Ainda assim, considera que essa característica poderá ser precisamente aquilo de que Portugal precisava depois da passagem de Roberto Martínez. O jornalista destaca especialmente a reação de Jesus à polémica, quando o treinador deixou claro que nenhum jogador, independentemente do nome ou estatuto, pode impor decisões ao selecionador.
“Nem ele, nem ninguém”, afirmou Jorge Jesus, reforçando que as suas escolhas dependem exclusivamente daquilo que considera melhor para a equipa. Para Wilson, a grande surpresa não foi o conflito entre os dois portugueses, mas o facto de a relação apenas se ter deteriorado ao segundo jogo de Jesus no comando da Seleção.
Vitória frente à Dinamarca reforçou argumento do jornalista
A análise britânica utiliza também os resultados recentes de Portugal para sustentar a posição favorável a Jorge Jesus. Depois da saída de Ronaldo do estágio, a Seleção Nacional venceu a Dinamarca por 4-2, numa exibição que mereceu elogios do jornalista.
Gonçalo Ramos, que já tinha marcado o golo da vitória frente à Noruega, voltou a destacar-se diante dos dinamarqueses, contribuindo com um golo e uma assistência. O avançado voltou a marcar no domingo, na vitória portuguesa por 2-1 frente à Noruega, permitindo à equipa completar quatro triunfos em quatro encontros nesta fase da Liga das Nações.
Wilson considera que estes resultados demonstram que Portugal tem alternativas de qualidade e não precisa de depender exclusivamente de Cristiano Ronaldo.
Vitinha também é destacado na imprensa britânica
Outro dos pontos abordados pelo jornalista é a reação dos restantes internacionais portugueses ao trabalho de Jorge Jesus. O artigo destaca declarações de Gonçalo Ramos e Vitinha, que elogiaram a evolução coletiva da Seleção e a maior clareza das ideias do treinador.
Wilson interpreta estas palavras como um possível sinal de mudança dentro do grupo, onde, na sua opinião, existiu durante demasiado tempo uma tendência para proteger o estatuto de Ronaldo.
O jornalista considera ainda que a experiência de Vitinha no Paris Saint-Germain lhe permite reconhecer a importância de uma equipa em que o coletivo prevalece sobre as individualidades.
The Guardian considera que despedida pode ter chegado tarde
Na parte final da análise, Jonathan Wilson defende que a eventual saída definitiva de Cristiano Ronaldo da Seleção será um momento triste, mas que poderá representar uma mudança necessária.
O jornalista considera que a separação deveria ter acontecido há mais tempo, argumentando que Portugal dispõe de uma geração suficientemente talentosa para construir uma equipa sem depender do seu melhor marcador de sempre. Apesar das críticas, Cristiano Ronaldo ainda não anunciou oficialmente o fim da carreira internacional.
Jorge Jesus deixou aberta a possibilidade de um regresso, sublinhando que a decisão dependerá do próprio jogador. A Federação Portuguesa de Futebol também manifestou disponibilidade para resolver a situação. Assim, embora o jornal britânico considere que a era de Ronaldo como figura central e intocável da Seleção poderá ter chegado ao fim, o futuro do capitão continua por esclarecer.
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