Cabanas de Tavira junta num mesmo território uma praia com cerca de sete quilómetros de areia e um bairro ligado a uma das experiências mais marcantes da habitação portuguesa depois da Revolução dos Cravos. A vila cresceu junto à Ria Formosa e mantém uma relação profunda com a pesca, apesar do peso que o turismo ganhou nas últimas décadas.
A história de Cabanas, segundo o portal do Município de Tavira, recua pelo menos a 1734, quando uma armação de atum começou a funcionar na zona e levou à construção das primeiras cabanas destinadas a guardar os equipamentos de pesca. Durante mais de duas décadas, estas estruturas terão servido sobretudo de apoio sazonal, até alguns pescadores começarem a fixar-se definitivamente por volta de 1757 ou 1758.
Praia estende-se por cerca de sete quilómetros
Um dos principais elementos naturais da vila é a praia de Cabanas, formada por um areal com aproximadamente sete quilómetros de extensão. O acesso faz-se através da Ria Formosa, que separa o núcleo urbano da ilha-barreira onde se encontra a zona balnear.
A praia possui Bandeira Azul desde 1989, segundo a informação municipal. Na Avenida Ria Formosa, junto à frente ribeirinha, é possível observar o sistema lagunar e a costa, numa zona onde ainda permanecem visíveis elementos associados à atividade marítima que esteve na origem da povoação.
Bairro nasceu no período que se seguiu ao 25 de Abril
Entre os elementos menos conhecidos de Cabanas encontra-se o Bairro SAAL, criado no contexto do Serviço de Apoio Ambulatório Local. O programa funcionou entre 1974 e 1976, no período imediatamente posterior à Revolução dos Cravos, e procurava responder às necessidades habitacionais das populações através de um modelo que envolvia diretamente os moradores.
O bairro de Cabanas é uma das expressões locais dessa experiência e encontra-se associado a uma comunidade tradicionalmente ligada à pesca. O programa SAAL viria a assumir um lugar particular na história da arquitetura portuguesa do século XX pela participação das populações na definição das soluções habitacionais.
Atum esteve na origem do crescimento da povoação
Muito antes do turismo, foi o mar que ajudou a formar Cabanas. A armação do atum instalada no século XVIII exigia estruturas onde pudessem ser guardados os apetrechos utilizados pelos pescadores e onde estes permanecessem durante os períodos de atividade.
Com o tempo, aquilo que inicialmente funcionava como uma ocupação temporária evoluiu para uma povoação permanente. Essa ligação continua presente na gastronomia local, onde produtos como o atum, o lingueirão, as conquilhas e as amêijoas permanecem associados à identidade da vila.
Forte do século XVII é anterior à própria povoação
Outro elemento patrimonial encontra-se no Forte de São João da Barra, cuja construção remonta a 1656, ainda antes do aparecimento das primeiras cabanas associadas à armação do atum. A fortificação foi mandada construir durante a Guerra da Restauração por iniciativa do conde de Vale de Reis, então governador do Algarve.
Atualmente em propriedade privada, o edifício apresenta uma planta poligonal, baluartes nos quatro ângulos e plataformas em terra revestidas por alvenaria de pedra. A porta de entrada está voltada para o interior e é antecedida por um fosso, conservando características da arquitetura militar abaluartada.
Igreja foi inspirada na forma de um barco
A relação de Cabanas com o mar também está representada na Igreja de Nossa Senhora do Mar, inaugurada a 24 de abril de 1994. No interior encontra-se uma imagem dedicada à padroeira da localidade, num templo pensado precisamente como homenagem à história e à atividade piscatória da vila.
A igreja foi ampliada e remodelada em 2008, numa intervenção arquitetónica inspirada na forma de uma embarcação. À sua volta permanece uma paisagem marcada pela Ria Formosa, onde existem sapais, salinas, bancos de areia e outros habitats que acolhem numerosas espécies de aves, peixes e outros animais, reforçando a ligação entre Cabanas, o mar e um território que continua a moldar a identidade da vila.















