O nome de Boliqueime, no concelho de Loulé, pode ter uma origem italiana e estar relacionado com os pescadores que frequentavam a costa algarvia entre os séculos XIII e XV. A explicação está associada à procura de água potável numa zona situada mais a sul da atual vila, embora a origem do topónimo continue a ser discutida.
De acordo com o portal da Freguesia de Boliqueime, uma das teorias liga o nome aos genoveses, venezianos e sicilianos que navegavam pelo Algarve para a pesca do atum e da baleia. Estes homens deslocavam-se até à zona de Olhos d’Água para se abastecerem de água, tendo esse contacto ficado associado ao aparecimento da designação da localidade.
Origem italiana não é consensual
A hipótese é também referida num documento da Assembleia da República dedicado à história de Boliqueime. O texto cita o investigador Ataíde Oliveira, que atribuiu ao nome uma origem italiana relacionada com aqueles navegadores dos séculos XIII, XIV e XV e com uma povoação então situada mais perto do litoral. DAR-II-A-160
Contudo, o mesmo documento deixa claro que a origem do termo não é consensual. O filólogo José Pedro Machado apresentou uma explicação diferente, defendendo uma possível origem islâmica e relacionando o nome com expressões árabes. Admitia, ainda assim, que uma parte do topónimo pudesse estar associada à água, devido à abundância deste recurso na região.
Boliqueime terá começado mais perto do mar
Segundo a história divulgada pelo portal da freguesia, a povoação primitiva estaria situada mais a sul do local onde atualmente se encontra Boliqueime. Ataíde Oliveira colocou esse primeiro núcleo na zona de Olhos d’Água, onde os navegadores estrangeiros encontrariam a água necessária para permanecerem na costa.
A explicação local relaciona ainda Boliqueime com a palavra italiana bulicame, apresentada como estando ligada a uma fonte ou nascente de água. A designação terá sido adotada pela população e mantida quando o povoado se deslocou posteriormente para a zona onde viria a desenvolver-se a atual localidade.
Terramoto destruiu o antigo núcleo
A história da povoação ficou também marcada pelo terramoto de 1755. O antigo Povo de Boliqueime, hoje conhecido como Povo Velho, sofreu danos profundos e a igreja foi completamente destruída, de acordo com as Memórias Paroquiais citadas na documentação parlamentar.
A nova Igreja Matriz foi construída ligeiramente mais a norte, no Cerro de Diogo Neto, e os trabalhos ficaram concluídos em 1759. O envolvimento da população na reconstrução ajudou a consolidar o crescimento do novo núcleo habitacional em torno do templo.
Já pertenceu a Albufeira e voltou para Loulé
Também administrativamente Boliqueime passou por várias mudanças. Na sequência da reorganização territorial do século XIX, a freguesia foi integrada no concelho de Albufeira, regressando a Loulé através da Lei de 17 de abril de 1838.
A mudança não foi definitiva nessa altura. Entre julho de 1839 e outubro de 1855, Boliqueime voltou a pertencer a Albufeira, passando depois definitivamente para o concelho de Loulé. Houve ainda, em 1926, uma tentativa da Câmara de Albufeira para voltar a anexar a freguesia, mas sem sucesso.
Só recentemente passou oficialmente a vila
Durante muito tempo identificada oficialmente como povoação ou aldeia, Boliqueime recebeu recentemente uma nova categoria administrativa. A Lei n.º 10/2025, de 14 de fevereiro, elevou formalmente Boliqueime à categoria de vila, depois de o processo ter sido aprovado pela Assembleia da República.
Hoje, o nome que atravessou séculos permanece ligado a duas explicações diferentes para a sua origem. A tradição local aponta para navegadores italianos que vinham pescar ao Algarve e procurar água junto à costa, enquanto outra interpretação admite raízes islâmicas. O que a documentação histórica permite afirmar é que a origem de Boliqueime continua sem uma explicação consensual.
















