Um alarme anticolisão evitou que dois aviões comerciais, que transportavam um total de 472 passageiros e tripulantes, colidissem no espaço aéreo das Canárias. O incidente ocorreu a 10 de julho e está agora a ser investigado pelas autoridades espanholas, depois de um relatório preliminar apontar que ambas as aeronaves seguiam à mesma altitude e em sentidos opostos.
Segundo a agência de notícias Lusa, a situação envolveu um Airbus A321 da Iberia e um Boeing 787 da Air Europa. Apesar da gravidade do episódio, as manobras automáticas ordenadas pelo sistema de segurança permitiram afastar os dois aviões antes de qualquer impacto.
Sistema entrou em ação em poucos segundos
O incidente aconteceu às 2:23 h, hora local das Canárias, no setor oceânico da Região de Informação de Voo (FIR/UIR) das Canárias.
Segundo o relatório preliminar da Comissão de Investigação de Acidentes e Incidentes da Aviação Civil (CIAIAC), o sistema TCAS detetou o risco de colisão e emitiu ordens imediatas aos pilotos. Enquanto um avião recebeu a instrução “TCAS RA DESCEND”, para perder altitude, o outro recebeu o aviso “TCAS RA CLIMB”, que determinava uma subida imediata.
Aviões seguiam na mesma rota
A bordo do Airbus A321 da Iberia viajavam 133 passageiros e seis tripulantes. Já o Boeing 787 da Air Europa transportava 321 passageiros e 12 tripulantes. A mesma fonte explica que ambas as aeronaves voavam na mesma aerovia, ao mesmo nível de voo e em direções opostas, uma situação que motivou a intervenção automática do sistema anticolisão.
De acordo com as informações conhecidas, os pilotos cumpriram de imediato as instruções emitidas pelo sistema de segurança. A deputada Cristina Valido, da Coligação Canária, refere que as aeronaves iniciaram as manobras evasivas quando estavam a menos de duas milhas náuticas, cerca de 3,7 quilómetros, uma distância reduzida tendo em conta a velocidade a que seguiam.
Investigação levanta novas questões
O relatório indica que o Airbus desceu cerca de 152 metros, o equivalente a 500 pés, até receber a indicação de “LIVRE DE CONFLITO”. Depois disso, os dois voos retomaram normalmente as respetivas rotas, sem registo de feridos ou danos.
Entretanto, Cristina Valido levou o caso ao Congresso espanhol e pediu esclarecimentos ao Governo sobre “como é possível que duas aeronaves comerciais com rumos opostos estivessem a operar à mesma altitude numa aerovia oceânica”.
Centro de controlo também está sob escrutínio
Entre as questões colocadas pela deputada está o funcionamento dos sistemas de alerta em terra utilizados pelo centro de controlo da Enaire nas Canárias.
Conforme a Lusa, a parlamentar pretende saber se existiam mecanismos automáticos de deteção precoce de conflitos de tráfego naquele setor oceânico e, caso existissem, por que motivo não evitaram a situação. Solicitou ainda informações sobre o número de controladores de tráfego aéreo de serviço naquela madrugada e se todos os turnos estavam devidamente assegurados.
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