Quando o preço dos combustíveis aumenta, muitos condutores assumem que as gasolineiras estão a ganhar mais dinheiro. Uma jovem gerente de duas estações de serviço explica, no entanto, que a subida também chega primeiro às empresas, que têm de pagar mais antes sequer de venderem um litro ao público.
María Yélamos, de 25 anos, gere duas bombas de gasolina familiares na província espanhola de Almería e decidiu explicar como funciona o negócio numa altura em que os preços dos combustíveis continuam a pesar no orçamento dos automobilistas.
Em declarações ao portal espanhol Noticias Trabajo, a jovem responsável garante que existe uma ideia errada entre muitos clientes: a de que as estações de serviço lucram diretamente com cada subida de preços.
Gasolineiras também compram mais caro
Segundo María, antes de o combustível chegar ao depósito de um automóvel, a própria estação já teve de pagar um valor mais elevado para encher os seus reservatórios.
A gerente explica que acompanha diariamente os níveis dos depósitos para perceber quando precisa de fazer uma nova encomenda, sendo precisamente nessa altura que sente o impacto das oscilações de preços.
Quando o combustível encarece, a estação não mantém o antigo preço de compra. Pelo contrário, também paga mais ao fornecedor pela mesma quantidade.
Um camião custou-lhe mais 7.000 euros
María dá um exemplo concreto que, segundo conta, ocorreu poucos dias depois do início da guerra a que se refere na entrevista.
Uma cisterna com cerca de 32 mil litros de combustível ficou 7.000 euros mais cara devido à subida dos preços.
O problema, explica, é que este valor tem de ser pago antecipadamente, antes mesmo de o camião chegar à estação e antes de o combustível poder começar a ser vendido aos clientes.
Cliente vê o preço, mas não vê o custo anterior
Para quem abastece, o aumento é imediatamente visível no painel da bomba. Já o valor que a estação teve de adiantar para comprar o combustível permanece fora da vista do consumidor.
É por isso que María rejeita a ideia de que as estações estejam necessariamente a beneficiar quando a gasolina ou o gasóleo ficam mais caros.
Embora reconheça que qualquer negócio precisa de margem para funcionar, garante que os ganhos no combustível são mais reduzidos do que muitos clientes imaginam.
Concorrência reduziu as margens
A gerente aponta ainda para outro fator que está a pressionar a rentabilidade das estações de serviço: o aumento da concorrência.
As chamadas gasolineiras low cost, a abertura de novos postos e a pressão sobre os preços fizeram com que a margem por litro ficasse mais distribuída.
Na sua opinião, já não se pode olhar para uma bomba de gasolina como um negócio automaticamente associado a lucros elevados.
Lojas ganham cada vez mais importância
Com as margens dos combustíveis mais apertadas, outras áreas das estações de serviço passaram a ter um peso crescente nas receitas.
María explica que o minimercado é atualmente uma das partes mais importantes do negócio e que muitas bombas procuram diferenciar-se através dos produtos vendidos em loja.
No seu caso, tenta apostar em artigos diferentes dos disponíveis noutras estações e promovê-los através das redes sociais para atrair clientes de outras zonas.
Margem pode chegar aos 30% na loja
Segundo a jovem gerente, a margem obtida nos produtos vendidos no minimercado ronda, em muitos casos, os 30%.
É uma realidade bastante diferente daquela que descreve para o combustível, onde os preços de compra elevados e a forte concorrência tornam a margem mais limitada.
O testemunho procura assim mostrar um lado menos visível das subidas dos combustíveis: antes de o condutor pagar mais na bomba, a própria estação já teve de suportar um custo superior para conseguir manter os depósitos abastecidos.
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